Foto: Atenas. Por: David L@Pixabay

A viagem da nossa irmã do Brasil começou a ser planeada em janeiro deste ano. A dúvida da Marilys (@marilysoficial) foi precisamente sobre “qual ilha”. Decidiu viajar até às mais turísticas: Mykonos e Santorini. Mas, claramente, visitou bem Atenas. Não se pode descurar, nunca, uma capital que foi o epicentro da civilização de outrora. Subir até à Acrópole e fazer uma vénia às vestais gregas que sustentam a beleza e o peso marmóreo do Parténon.

Vamos à parte prática para viajar em segurança? Não precisam, à data, de teste PCR (desde que tenham certificado de vacinação com as três doses, acima de 12 anos de idade).

A vossa decisão passa por viagem greco-aventura ou greco-romântica? Se é o último caso, então as ilhas acima referidas têm de estar no cardápio do casal. E essa foi a escolha da Marilys. Se, por outro lado, forem como eu… então fiquem pela exploração todinha da Grécia e algumas ilhas próximas gregas.

Eu fui há alguns anos e, a cada passada, encontrava um tesouro arqueológico. Quando não tinha pisado o mundo ainda, recordo-me de pensar que a Grécia seria o meu destino de sonho. Tudo porque sou licenciada em literatura clássica. Depois, os estudos foram avançando, o primeiro amor não se esquece, mas outros países se colocaram na linha da frente. A Grécia veio como um reencontro com a poesia dos autores áureos. Em cada monumento ecoa um artista antepassado, uma guerra lendária, uma mitologia.

Sobre o povo e a hospitalidade, já Homero nos dizia que a hospitalidade era um dever e um traço do caráter grego. A Marilys confirma tudinho: hospitalidade completa. Descreve assim: “Eles são muito gentis e sempre estão preocupados com seu bem-estar. Eles dizem que sobrevivem de turismo então é graças a nós que eles ganham o pão de cada dia e são gratos pela nossa presença.”.

Sobre mobilidade e formas de poupar o tempo: a viajante brasileira atesta que alojar-se em Atenas é o procedimento principal pois permite que se visite a capital a pé. Confirmo também. Quanto ao tempo e temperaturas, a Marilys foi em meados de maio e estava ameno a quente. Eu fui em pleno julho e não recomendo, pois o calor é sufocante sobretudo porque temos de subir a vários pontos como a Acrópole. E, já agora, não sei se temos viajantes professores ou estudantes a pensarem ir à Grécia, mas basta apresentarem o cartão de identificação de docente e terão um enorme desconto na Acrópole. E visitar aquele conjunto de monumento, lá bem perto do céu, toma uma boa manhã. Por isso, cuidado com o sol e com a altura. Vale cada passo, cada segundo. As fotos dali são imponentes.

Sobre amar na Grécia, ora seguiu com o noivo, de buggy, para as ilhas que voltaram a estar badaladas: Mykonos e Santorini. Buggy em vez de táxi, muito mais em conta.

Sobre outro sonho no bolso: a Marilys não planeou apenas a Grécia. Fez um combo inteligente e visitou igualmente a Turquia. Voto cinco estrelas nesta viagem assim, pois são dois países atualmente distintos na cultura, mas que outrora tinham outras diferenças que ditaram diferenças imperiais. Que hoje são mote de filmes e séries intemporais. Marilys pretendia viajar de balão na Capadócia. Eu acho que a novela “Salve Jorge” pode ter influenciado os viajantes brasileiros a viajar para a Capadócia desde há uma década. Quem recorda a novela da Globo?

Antes da Capadócia, ponto obrigatório é Istambul. Ela visitou os pontos mais atrativos: “Aproveitei a manhã pra conhecer as Mesquitas Azul e Santa Sofia. A Mesquita azul estava em reforma na parte interior e só dava pra ver o teto. Na Mesquita Santa Sofia acredito que esperei 30 minutos pra poder entrar. E tinha muuuuuita gente. Ambas ficam uma na frente da outra e a visita costuma ser rápida, o que demora é a entrada. Depois conheci o Palácio de TopKapi, mas a entrada também é demorada por causa da fila. Após o palácio, conheci o grande bazar e aproveitei pra tomar chá turco por lá. É impressionante como é grande (…)”

Quem se animou para fazer um dia completo assim? Eu já conheço a Turquia e parece que, enquanto escrevo, revivo cada sentimento e sensação na Mesquita, nas luminárias de Santa Sofia, nas cores gritantes do Bazaar, no Rio Bósforo. Acerca do Rio Bósforo, tal como a Marilys, também recomendo o cruzeiro enquanto o sol vai pousando do lado do Palácio. Istambul torna-se uma aguarela impressionante, o rio é suave, a ponte parece maior e mais misteriosa. A Marilys apreciou distintamente o passeio de barco, segundo ela.

A viagem de balão estava a chegar como um coração palpitante e pouco contido. A Marilys foi de avião entre Istambul e a Capadócia, pois a distância o exige. Mas, prepare bem este passeio de balão de antemão. É que a Marilys alerta que foi difícil ter “vaga” após consultar as empresas de balão locais. Outra nota: o voo de Istambul para a Capadócia convém ser marcado com antecedência igualmente pois têm estado cheios. A nossa entrevistada encontrou a sua oportunidade numa empresa cujo voo de balão (para um máximo de quinze pessoas) foi de 180 euros (por pessoa). Acordaram bem cedo, ela explica: “No dia seguinte a empresa estava a nossa espera no hotel às 4:30 da manhã e fomos levados para um local para tomar um café e depois seguimos para a área de decolagem. São feitas duas decolagens: uma antes do nascer do sol e outra logo que o sol nasce. O nosso voo era depois do sol [nascer]. E teve duração de uma hora.”

Retornam ao hotel pelas 8h da manhã o que dá tempo para reservarem um passeio de camelo, para quem gostar (o passeio é de duas horas e com o custo individual de 25 euros). Mais: podem experienciar um sunset na Capadócia depois de viajarem de buggy pelos vales (passeio que conta com cerca de 3h30 e com o custo de 35 euros). Mas, num dia não podem visitar as famosas cidades subterrâneas. Reservem um dia para isso caso não sejam claustrofóbicos. Recomenda, assim, a Marilys: “As cidades subterrâneas não recomendo para quem tem claustrofobia porque é um labirinto embaixo da terra e as passagens são muito estreitas e pequenas.” (Português BR).

Fico a rever esta entrevista e a pensar na guerra de Tróia. Ela nunca foi um mito, para quem não o saiba. E esta viagem entre Grécia e Turquia fez-me recordar precisamente como o conflito troiano, o cavalo engendrado pelos gregos que queimaram Tróia… tudo se reaviva numa viagem assim. E Tróia ficou camadas abaixo numa área da Turquia. Então, afinal, podemos dizer que é, sim, possível agradar a gregos e a troianos. Faça esta viagem e viva, por dentro, as civilizações e os (não) mitos.

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