Em 2019, um grupo de astrónomos lançou o projeto de ciência cidadã “Hubble Asteroid Hunter” na plataforma Zooniverse, com o objetivo de identificar visualmente asteroides. A ideia era analisar o arquivo de imagens do Telescópio Espacial Hubble. Os primeiros resultados foram agora publicados e há mais dados a caminho.

Há mais de 30 anos ao serviço, o Hubble observa nebulosas, galáxias e aglomerados de galáxias, entre outros grandes campos de estudo da astronomia. Nas observações que faz, o seu campo de visão é cruzado por objetos menores que deixam rasto nas imagens, linhas curvas ou riscass que podem ser associadas a asteroides. O objetivo dos quase 11.500 voluntários que aderiram ao projeto foi identificar esses vestígios, com a ajuda da inteligência artificial.

Os voluntários observaram e analisaram um total de 37.323 imagens compostas em formato PNG disponíveis no arquivo, registadas pelo Hubble entre 30 de abril de 2002 e 14 de março de 2021, relacionadas a uma câmara específica do telescópio, denominada ACS, e entre 24 de junho de 2009 e 14 de março de 2021, no que diz respeito a outra câmara mais moderna instalada posteriormente. O projeto conseguiu identificar 1.701 rastos de asteroides.

Veja as imagens em pormenor

Os objetos descobertos têm um brilho fraco e são, muito provavelmente, menores do que os já detetados por telescópios terrestres, mas tal não impede que tragam informações relevantes sobre a formação e o início do Sistema Solar.

Para conseguir detetar os “novos” asteroides, o grupo de investigação treinou um algoritmo que procura rastos dos objetos nos arquivos do Hubble de forma automatizada. A maioria deles tem como origem o Cinturão Principal, mais conhecido como Cinturão de Asteroides, uma região circular formada por múltiplos corpos irregulares que se encontra entre as órbitas de Marte e Júpiter.

A partir de agora o projeto irá explorar os rastos dos asteroides entretanto encontrados, para caracterizar suas órbitas e estudar suas propriedades, como a sua dimensão e período de rotação.

O artigo que descreve o projeto e as descobertas foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

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