O TikTok enfrenta uma nova polémica nos Estados Unidos após uma investigação ter apontado para a possibilidade de funcionários da empresa na China terem acedido a dados dos utilizadores norte-americanos.

Em resposta a uma carta enviada por um conjunto de senadores norte-americanos, que anteriormente tinham questionado Janet Yellen, secretária do Tesouro dos Estados Unidos, acerca do estado das revisões de segurança ao TikTok, a rede social assegura que está a tomar medidas para reforçar a segurança dos dados dos utilizadores nos Estados Unidos através de uma iniciativa chamada Project Texas.

O projeto passa pela criação de versões norte-americanas de alguns dos sistemas internos da rede social, incluindo ferramentas analíticas, o algoritmo de recomendação que a alimenta, assim como daqueles que dizem respeito aos dados dos utilizadores nos Estados Unidos, com o acesso a ser limitado a uma nova equipa de funcionários no país.

Na carta, Shou Zi Chew, CEO do TikTok, o detalha que o objetivo do projeto é “ajudar a fomentar a confiança junto dos utilizadores e principais investidores” ao melhorar os sistemas da empresa e ao “fazer progressos significativos” tendo em vista o cumprimento de um acordo com o governo dos Estados Unidos que irá “salvaguardar totalmente os dados dos utilizadores e os interesses de segurança nacional” do país.

Embora realce que o TikTok pretende direcionar 100% do tráfego gerado por utilizadores nos Estados Unidos direcionado para a infraestrutura na Cloud da Oracle, Shou Zi Chew admite que alguns funcionários da empresa na China tiveram acesso a este tipo de dados, se bem que o processo tenha sido sujeito a uma “série de controlos de cibersegurança robustos e protocolos de aprovação de autorização supervisionados por uma equipa de segurança norte-americana”.

Na carta, o CEO dá também a conhecer que a ByteDance desenvolveu os algoritmos de recomendação utilizados tanto no TikTok como no Douyin, a versão chinesa da rede social. Através do acordo com a Oracle a empresa quer garantir que o processo de desenvolvimento dos algoritmos da sua rede social acontece na Cloud da tecnológica norte-americana.

Ainda esta semana, um comité do Senado dos Estados Unidos pediu à Federal Communication Commission (FCC) que investigue se as autoridades chinesas estão a aceder a dados de utilizadores norte-americanos através da aplicação TikTok.

Recorde-se que, em reação à polémica gerada, um membro da FCC escreveu aos líderes da Apple e da Google, apelando para que removam o TikTok das lojas de aplicações de ambas as tecnológicas.

A carta realça que o TikTok “recolhe vastos conjuntos de dados sensíveis" sobre os utilizadores norte-americanos”, acrescentando que a ByteDance, enquanto empresa sediada em Pequim, “está obrigada pela lei chinesa a cumprir as exigências de vigilância” do país e que a rede social "representa um risco inaceitável para a segurança nacional".

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