Titã transformou-se num dos principais destinos para procurar vida extraterrestre, uma possibilidade tentadora que será investigada pelo helicóptero Dragonfly da NASA, com lançamento previsto para 2027. Até lá vão-se formulando hipóteses quanto às semelhanças visuais entre a superfície da maior lua de Saturno e a da Terra.

Tal como o planeta azul, Titã acolhe lagos, rios, planaltos erodidos e dunas de areia. No entanto, os materiais que compõem essas formações geológicas são completamente diferentes: a água foi “substituída” por metano líquido e nas dunas há hidrocarbonetos em vez de areia.

No entanto, até agora ninguém conseguiu explicar como é possível que as dunas de Titã, formadas por compostos orgânicos, possam suportar estruturas tão variadas e evitar que se transformem em poeira após a sedimentação produzida pelo vento de nitrogénio e a passagem de metano líquido. Um novo estudo realizado na Universidade de Stanford avança hipóteses.

Os investigadores consideram que um dos aspetos semelhantes à Terra na grande lua de Saturno será a produção dos chamados oóides, pequenos grãos sedimentares que são normalmente encontrados em águas tropicais, que apesar da erosão do mar mantêm um tamanho constante.

“É fascinante pensar em como este mundo alternativo existe tão longe, onde as coisas são tão diferentes e tão semelhantes”, Mathieu Lapôtre, Universidade de Stanford.

Pensa-se igualmente que os ventos eram mais comuns em redor do equador de Titã, permitindo que as dunas se desenvolvessem. Noutros lugares da superfície lunar, os ventos podem ter causado a formação de grãos mais grossos ou rochas sedimentares mais sólidas.

A hipótese avançada é que a sinterização - que consiste na fusão dos grãos numa única peça - poderia neutralizar a abrasão quando os grãos são transportados pelos ventos, explicou o investigador principal Mathieu Lapôtre.

Um outro fator em comum é que Titã, além da Terra, é conhecido como o único corpo celeste com um ciclo sazonal de transporte de líquidos, sugerindo-se que o metano líquido também contribui para a erosão e a formação de sedimentos.

"Estamos a demonstrar que em Titã - assim como na Terra e como o que estava a acontecer em Marte - há um ciclo sedimentar ativo que pode explicar a distribuição latitudinal das paisagens através da abrasão episódica e sinterização impulsionada pelas estações de Titã", acrescentou Mathieu Lapôtre.

A missão Dragonfly que a NASA prevê lançar em 2027 vai poder ajudar a “tirar teimas” sobre as hipóteses colocadas pela equipa de investigadores da Universidade de Stanford – entre outras. Nela, um lander especial, que toma a forma de um drone, vai pousar em diversos pontos da lua de Saturno para recolher amostras da sua superfície, contribuindo para determinar se existem ou não sinais de vida.

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