A utilização do Telegram por cibercriminosos aumentou 100% nos últimos meses, de acordo com uma investigação do Financial Times e da Cyberint, uma empresa de cibersegurança. Este crescimento é associado à alteração da política de privacidade do WhatsApp e à consequente transferência de muitos utilizadores para outros serviços de mensagens encriptadas.

Lembrando que já este ano o WhatsApp alterou a sua política de privacidade para poder compartilhar dados com o Facebook, do mesmo grupo, em uma decisão que levantou polêmica e que acabou por obrigar a empresa a clarificar se mantinha ou não a garantia de privacidade das mensagens trocadas através do serviço. A garantia foi dada, mas não terá conseguido evitar que muitos utilizadores trocassem a plataforma por outros serviços de mensagens com a mesma garantia de encriptação das comunicações.

Nesta transferência de utilizadores, o Telegram terá sido uma das plataformas que mais beneficiou, mas no meio dos novos clientes existirão muitos dedicados a atividades pouco lícitas, apurou agora a investigação do Financial Times.

Entre as atividades mais detectadas pela pesquisa estão a venda de informações financeiras, como números de cartões de crédito, ferramentas de hacking ou cópias de passaportes. Foram também identificadas bases de dados com 300 mil a 600 mil combinações de email e password para serviços de e-mail e jogos e o número de vezes que expressões como "Email:pass" e "Combo" foram referidas na aplicação ao longo do último ano quadruplicou.

Segundo a empresa de segurança que conduziu o estudo para o FT, os serviços de mensagens encriptadas são cada vez mais populares, porque são mais fáceis de usar para fazer circular informação sobre atividades ilícitas e menos visados pelas autoridades que a dark web.

O Telegram já reagiu e reconhece que tem aumentado os esforços para remover informação pessoal partilhada na sua plataforma, sem consentimento dos próprios. Para isso tem vindo a alargar a equipa de moderadores e está a eliminar cerca de 10 mil comunidades públicas todos os dias, onde tem detectado violações da política de privacidade. Na sequência da investigação do FT, a empresa garante que removeu também as bases de dados com credenciais para serviços de e-mails e jogos que tinham sido  detectadas.

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