Em entrevista ao Conversa com Bial (Globo) no início da madrugada desta quinta-feira (1), a chef de cozinha Paola Carosella, 48, ex-MasterChef (Band), revelou sua estratégia para não prejudicar os produtores de uma cooperativa de Parelheiros, na zona sul de São Paulo, durante a pandemia.

Ela criou um prato para o delivery de seu restaurante, o Arturito, apenas com os ingredientes comercializados por 40 famílias, o que aumentou em três vezes o volume de compras e significou uma renda de R$ 130 mil em um ano para o grupo.

"Isso me dá muito orgulho", ela disse durante a entrevista. Uma reportagem exibida durante o programa mostrou o trabalho realizado pela Cooperapas (Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais e de Água Limpa da Região Sul de São Paulo), que produz alimentos orgânicos na Fazendinha Pedaço do Céu.

Carosella costumava visitar o local antes da pandemia e, para Bial, defendeu que existam políticas públicas que favoreçam a agricultura familiar.

O posicionamento político, segundo ela, não significa um afastamento da rotina na cozinha. "Nunca vou largar (a cozinha). A minha forma de fazer politica é ensinar a cozinhar, para que as pessoas possam ser independentes", disse.

Ao lado do marido, o fotógrafo de comida Jason Lowe, a chef dá dicas de receitas em um canal no Youtube e segue cuidando de seus negócios. Além do Arturito, ela é dona do La Guapa Empanadas Artesanais e Café, ambos localizados em São Paulo.

Nascida na Argentina e há 20 anos no Brasil, Carosella está em processo de naturalização para poder votar. Ela contou a Bial que não sabia quase nada sobre São Paulo quando foi convidada por um chef em Nova York para participar da abertura de um restaurante na capital.

"Eu era um ratinho de cozinha. Brinco que nessa época eu morava em uma latinha de tomate", justificou sobre o desconhecimento.

O convite para iniciar a carreira na TV, contou, surgiu em um momento de dificuldades. A chef estava recém-separada, com uma filha pequena, comprara um restaurante e fizera um empréstimo "suculento" em um banco. Ela viu na TV a possibilidade de melhorar a situação.

"Caprichei no sotaque e deu certo", brincou. Mas não foi fácil no começo. As redes sociais incialmente rejeitaram o estilo de Carosella. Ela acredita que foi muito criticada por ser mulher, argentina e julgar brasileiros.

Depois, diz, descobriram outras nuances e ela própria passou a gostar mais do trabalho que realizava em frente às câmeras.

"Foi muito interessante me apaixonar por uma nova profissão aos 40 anos e descobrir que tinha talento para isso".

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