De acordo com os moradores, a batalha para recuperar Vilkhivka aconteceu no fim de março, mas o exército ucraniano proibiu o acesso à localidade até a semana passada.

E uma evidência da confiança reinante: vários soldados ucranianos estão deitados para aproveitar o sol.

A frase "Azov esteve aqui", com o símbolo do batalhão ucraniano que lembra o símbolo nazista, foi escrita sobre um dos tanques russos.

Dezenas de casas da localidade de 2.000 habitantes foram destruídas por explosões e incêndios. Brinquedos e eletrodomésticos quebrados e pedaços de roupas estão espalhados, assim como estilhaços e cápsulas de balas.

A escola de dois andares de Vilkhivka foi destruída por um incêndio.

O corpo de um soldado russo permanecia no sábado no jardim da escola, enquanto a quadra, aparentemente utilizada como dormitório pelos russos, tem caixas de munições vazias e sacos de dormir, misturadas a livros didáticos e bolas de basquete.

Perto da escola, alguns voluntários distribuem alimentos aos que decidiram ficar na localidade. Os russos ocuparam a área desde o início da guerra em 24 fevereiro e sua ofensiva contra Kharkiv, relata Egdard Andresovich, um eletricista que nunca saiu de Vilkhivka.

Ele explica que os russos, que já estavam na região, intensificaram ofensiva no fim de março (até 24, 25 ou 26, segundo vários relatos) e tomaram a localidade. Então, muitos habitantes decidiram fugir.

"Os russos afirmaram: 'se o exército de vocês não atirar, nós não vamos atirar'. Eu perguntei o que faziam aqui e responderam: 'Vamos libertar vocês'", conta o eletricista.

Um dia depois, conta, uma tempestade de fogo atingiu a localidade, que foi cenário de combates violentos.

"Foi o inferno, nossas casas explodiam e começava o incêndio", relata Viktor Ivanovich,

Evguen Zagumeny retornou para a localidade com o objetivo de "reconstruir" sua casa. "Precisamos de um lugar para viver, não é possível morar para sempre no metrô de Kharkiv", afirma, ao citar o lugar onde muitos moradores buscaram refúgio contra a guerra.

- Medo de retorno russo -

Serguei Bilinikhin, carpinteiro, já começou a obra. "Tenho a impressão de que não tenho casa. Restaram apenas os muros, sem janelas ou teto. Mas, se Deus quiser, vou terminar antes do outono" (hemisfério norte, primavera no Brasil).

"E não tenho razões para ficar triste. Os muros suportaram, tenho vizinhos que perderam tudo. Minha família está viva, meus dois filhos (de três e sete anos) estão com boa saúda", completa.

Os russos foram embora, mas nem por isso os moradores estão tranquilos. A fronteira fica a apenas 30 quilômetros e as tropas de Moscou ainda estão a uma dezena de quilômetros de Kharkiv.

"É muito perto. Chegaram aqui como se estivessem em casa. Estou preocupado", afirma Edgard, que promete ficar "enquanto for possível".

"Os russos não são boas pessoas. Se eu falar o que penso deles vai tocar o 'bip-bip-bip' (som de censura na televisão). Eles podem voltar, estou preocupado. Continuam atirando", declarou Serguei.

"Mas nasci aqui, cresci aqui. Esta é minha pátria. Não vou sair. Minha vida toda está aqui", conclui.

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