"É um momento decisivo para a União Europeia (...) Acredito que hoje concederemos o status de candidato para Ucrânia e Moldávia", disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

"Esperamos a luz verde (...) O objetivo é claramente a adesão total à UE", declarou Andrii Yermak, chefe do gabinete presidencial ucraniano. O processo de integração ao bloco, no entanto, pode demorar anos.

É preciso um consenso para que os 27 países da UE aprovem a candidatura da Ucrânia, já apoiada pela Comissão Europeia (executivo da UE) e pelas principais economias do bloco, embora alguns membros tenham se mostrado relutantes.

A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, exortou os líderes europeus a concordarem com o pedido de Kiev.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que, na quarta-feira, realizou "uma maratona telefônica" durante a qual conversou com onze líderes europeus para defender a candidatura.

Esse cenário, inimaginável até recentemente, foi imposto ao bloco comunitário com a guerra iniciada pela Rússia há quase quatro meses.

Líderes dos Bálcãs Ocidentais, um grupo de países que negocia há vários anos sua adesão, não esconderam sua amargura.

O primeiro-ministro da Albânia (país candidato à adesão que aguarda novidades desde 2014), Edi Rama, advertiu que a Ucrânia não deve ter "ilusões" sobre o sucesso de sua candidatura.

"A Macedônia do Norte é candidata há 17 anos, se não perdi a conta. A Albânia há oito. Então, bem-vindo, Ucrânia. É bom que a Ucrânia tenha reconhecido o status (de país candidato). Mas espero que os ucranianos não tenham ilusões", disse.

- Resistência "inútil" -

Na frente bélica, as tropas ucranianas perderam o controle de duas localidades da região do Donbass, no leste do país, em meio a combates para manter sua soberania nas cidades de Severodonetsk e Lysychansk, informou o governador de Lugansk.

"Perdemos o controle de Loskutivka e de Rai-Oleksandrivka", disse Serguei Gaiday, em referência a duas localidades que ficam ao sudeste de Lysychansk.

Com isso, as tropas russas conseguiram avançar ainda mais no Donbass, onde parecem estar perto de cercar os dois núcleos urbanos de Severodonetsk e Lysychansk, separados pelo rio Donets.

Gaiday afirmou que as forças russas tentam assumir o controle de Severodonetsk, uma cidade industrial que antes da guerra tinha quase 100.000 habitantes e que os militares ucranianos tentam defender.

A Ucrânia recebe ajuda militar ocidental e agora adicionou sistemas de lançamento de mísseis Himars dos Estados Unidos ao seu arsenal, anunciou o ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, sem especificar quantos lançadores de foguetes chegaram.

Com alcance de 80 km, esse sistema tem a vantagem de ser muito preciso, superior ao dos russos. No entanto, um representante dos separatistas pró-Rússia chamou a resistência ucraniana em Lysychansk e Severodonetsk de "inútil".

"Acho que no ritmo que nossos soldados estão indo, muito em breve todo o território da República Popular de Lugansk será libertado", disse o tenente-coronel Andrei Marochko à AFP por videochamada.

Os atentados estão ocorrendo em outras partes do país, como na região nordeste de Kharkiv, onde quinze pessoas morreram na terça-feira, e na cidade de Mikolaiv, no sul, onde a Rússia anunciou na quinta-feira que destruiu 49 tanques de combustível e três veículos blindados.

- Putin pede cooperação aos Brics -

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu aos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) maior cooperação para lidar com as "ações egoístas" dos países ocidentais.

Putin denunciou as tentativas desses países de "usar mecanismos financeiros para responsabilizar todos por seus próprios erros de política macroeconômica". Segundo Putin, o Brics poderia contar com o apoio de "vários países da Ásia, África e América Latina que aspiram por uma política independente".

A cúpula europeia desta quinta-feira, em Bruxelas, será seguida por outra do G7, com as grandes potências ocidentais, e uma terceira da Otan, da qual participará o presidente dos EUA, Joe Biden.

Essas três reuniões discutirão como ajudar financeiramente a Ucrânia. De acordo com a Casa Branca, Volodimir Zelensky intervirá nas reuniões do G7 e da Otan, por videoconferência.

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