Autoridades ucranianas e americanas relataram nos últimos dias movimentos de tropas russas perto da fronteira com a Ucrânia, mas o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, considerou que "a Rússia está deslocando suas forças armadas em seu território como quer" e que isso "não representa nenhuma ameaça para ninguém e não deve ser motivo de preocupação para ninguém".

Em nota, o presidente ucraniano acusou Moscou de "tentar criar um ambiente ameaçador" com "exercícios militares e possíveis provocações na fronteira".

Por sua vez, o porta-voz da diplomacia dos Estados Unidos, Ned Price, alertou Moscou a se abster de "ações agressivas [que] objetivam intimidar e ameaçar nosso parceiro, a Ucrânia".

Segundo a Ucrânia e os Estados Unidos, movimentos de tropas russas teriam sido detectados na Crimeia, península anexada por Moscou em 2014, e na fronteira russo-ucraniana, perto dos territórios controlados por separatistas pró-russos.

Após a trégua no segundo semestre de 2020, o conflito no leste da Ucrânia observou vários confrontos armados desde janeiro, que mataram 20 soldados ucranianos. Ambos os lados se culpam pela escalada.

Esta semana, o comandante-chefe das forças armadas ucranianas, Ruslan Jomchak, denunciou uma "ameaça à segurança militar" ucraniana, afirmando que os separatistas tinham 28.000 combatentes e "mais de 2.000 instrutores e conselheiros militares russos".

Moscou, acusada de apoiar os separatistas político e militarmente desde o início do conflito em 2014, sempre negou ter enviado tropas ou armas ao local.

Em meio a essa atmosfera de tensão, o serviço diplomático da União Europeia criticou nesta quinta-feira uma campanha de recrutamento militar lançada pela Rússia na Crimeia, considerando-a uma "violação do direito internacional humanitário".

A Rússia anexou a Crimeia há sete anos e, pouco depois, grupos separatistas apoiados pelo país iniciaram um conflito no leste da Ucrânia que continua até hoje e que, segundo a ONU, já tirou mais de 13 mil vidas.

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