Ecoando a política de queixas de sua campanha de 2016 e a retórica dura de seu mandato, o ex-presidente, 74, dirigiu-se a uma plateia entusiasmada durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada em Orlando, na Flórida.

Em seu primeiro discurso relevante desde que deixou a Casa Branca, em 20 de janeiro, Trump repetiu suas afirmações sem provas de que foi o real vencedor da última eleição presidencial, e não o candidato democrata, Joe Biden, e criticou os republicanos que votaram contra ele no último processo de impeachment.

"Com a sua ajuda, retomaremos a Câmara, conquistaremos o Senado e, então, um presidente republicano fará um retorno triunfal à Casa Branca, e me pergunto quem será?", disse Trump, sendo ovacionado. "Quem sabe?", deixou no ar, sobre seus potenciais planos. "Posso até decidir vencê-los pela terceira vez, ok?"

Banido do Twitter e de outras redes sociais, Trump mantém um perfil pós-presidencial discreto em seu resort de Mar-a-Lago. "Estamos em uma luta pela sobrevivência dos Estados Unidos tal qual o conhecemos. Esta é uma luta terrível, dolorosa. Em última instância, sempre vencemos", afirmou o ex-presidente, que descartou os rumores de que poderia usar sua base de apoio para criar um novo partido político: "Temos o Partido Republicano. Ele irá se unir e se tornar mais forte do que nunca."

Em seu discurso, de 90 minutos, Trump atacou Biden, afirmando que o democrata acabou de concluir um primeiro mês "desastroso" na Casa Branca. Também criticou os imigrantes e a "cultura do cancelamento", as políticas de Biden para as mudanças climáticas e o setor energético, e insistiu em que "atitudes ilegais" dos democratas lhe custaram a reeleição.

O ex-presidente também mirou nos republicanos que considera que o traíram, em um forte sinal de que tentará ajudar a derrubá-los nas próximas eleições. Ele citou pelo nome os 10 republicanos que votaram por seu impeachment na Câmara dos Representantes e os sete republicanos que votaram, sem sucesso, para condená-lo no Senado.

Trump se mantém como principal força do Partido Republicano, o que deixou claro hoje de que está ciente quando descreveu seu próprio apoio como "o ativo mais poderoso na política".

- Pesquisa -

Em pesquisa feita durante a conferência, sete em cada 10 entrevistados disseram desejar uma nova candidatura de Trump. Sobre o rumo do partido, o apoio ao Trumpismo mostrou-se sólido, com 95% dos entrevistados apoiando a continuidade das políticas e da agenda do ex-presidente.

Questionados sobre quem preferem como candidato do partido em 2024, 55% escolheram Trump, com o governador da Flórida, Ron DeSantis, em um distante segundo lugar, com 21%. O estrategista republicano Karl Rove declarou, no entanto, que esperava um resultado mais expressivo para Trump, principalmente em um evento tão favorável ao ex-presidente. "Eu interpretaria isso como uma nota de advertência", disse ao Fox News.

Para alguns republicanos, como o senador Bill Cassidy, que votou para condenar Trump, deixar de ser um bilionário impetuoso é fundamental. "Os republicanos podem vencer abordando as questões importantes para o povo americano, e não colocando alguém em um pedestal", declarou à rede de TV CNN.

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