Trudeau afirmou em coletiva de imprensa que seu governo está disposto a tomar "medidas mais fortes", possivelmente incluindo ações judiciais, para obter os documentos exigidos pelas famílias das vítimas, caso a Igreja não cumpra a reivindicação.

"Como católico, estou profundamente decepcionado com a posição que a Igreja Católica tem assumido agora e nos últimos anos", disse Trudeau.

O Canadá foi abalado pela descoberta dos restos mortais de crianças na Kamloops Indian Residential School, na província de British Columbia, especialmente porque apenas 50 mortes foram oficialmente registradas lá.

A escola, que funcionou de 1890 a 1969, era a maior das 139 residências escolares criadas há um século para assimilar à força os povos indígenas do país. Cerca de 150 mil crianças ameríndias, mestiças e inuítes foram recrutadas à força para essas escolas.

Diante da mídia, Trudeau relembrou uma viagem ao Vaticano em maio de 2017, durante a qual buscou um pedido formal de desculpas do papa Francisco pelos abusos dos alunos, assim como acesso aos registros da Igreja canadense para ajudar a contabilizar mais de 4.100 estudantes que, segundo o que acreditam, morreram por doenças ou desnutrição.

"Ainda estamos vendo resistência da Igreja", observou Trudeau.

Questionado sobre se o governo poderia obrigar a divulgação dos dados, o primeiro-ministro respondeu: "Acredito que, se necessário, tomaremos medidas mais fortes."

No entanto, ele acrescentou que "antes de começarmos a levar a Igreja Católica aos tribunais, tenho muitas esperanças de que os líderes religiosos vão compreender que isso é algo em que precisam se envolver".

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