Após a proposta de adiamento anunciada pelo presidente Sebastián Piñera há uma semana, o projeto de lei foi aprovado no Congresso por um processo mais complexo do que o esperado devido à pressão exercida pela oposição política para aumentar a ajuda social para enfrentar a pandemia.

Cinco dias antes das eleições, o Senado aprovou o projeto após debater simultaneamente um novo pacote de ajuda econômica, mas introduziu algumas modificações em relação ao que havia sido previamente aprovado na Câmara dos Deputados, que deve rever em breve o projeto no terceiro trâmite.

O ponto de maior controvérsia é a possibilidade de os prefeitos em exercício - suspensos de seus cargos durante o andamento da campanha - poderem retornar aos cargos por duas semanas.

Os que buscam a reeleição querem voltar a exercer suas funções, mas para seus detratores isso abre a oportunidade de continuar fazendo campanha enquanto para seus oponentes ela esteja suspensa.

"Estamos adiando as eleições justamente por uma situação excepcional em matéria de saúde por conta da pandemia e o lógico é que prefeitos de todas as cores políticas possam retornar aos seus cargos", afirmou a senadora da oposição Carolina Goic.

O projeto de lei estabelece que as eleições ocorram nos dias 15 e 16 de maio e congela a propaganda eleitoral até 28 de abril.

Ao anunciar o projeto de adiamento das eleições, o presidente Piñera afirmou que a prioridade era "a saúde de todos os habitantes do Chile", que enfrenta um forte aumento das infecções pelo novo coronavírus, que acontece em paralelo a um rápido avanço do processo de vacinação.

Os contágios, com registros diários de mais de 8.000 casos - maior do que na primeira onda - mantêm as unidades de terapia intensiva com uma ocupação de 95%.

Especialistas apontam para a falsa sensação de segurança que o rápido processo de vacinação proporcionou, a chegada de novas variantes do vírus e as primeiras medidas para abrir as restrições que fizeram com que os casos voltassem a aumentar no Chile.

Até o momento, o país conseguiu vacinar cerca de 7 milhões de pessoas com pelo menos uma dose. A meta é chegar a 15 dos 19 milhões de habitantes do país até 30 de junho.

Nas próximas eleições, os chilenos devem eleger os membros da convenção constitucional que redigirá a nova Constituição do país, após o resultado do plebiscito de 25 de outubro, no qual 79% da população optou pela opção a favor da alteração da Carta Magna que consta como legado da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Paralelamente, serão eleitos prefeitos, vereadores e governadores regionais.

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