Pela primeira vez, diversos representantes desta comunidade, essencialmente xiita, se reuniram em Cabul com dirigentes talibãs para expressar apoio e a disposição de dialogar com o novo regime.

Um importante líder da comunidade, Jafar Mahdawi, que organizou o encontro, declarou que o governo anterior, comandado pelo presidente Ashraf Ghani, foi o momento "mais sombrio" da história do Afeganistão.

"O Afeganistão não era independente e as embaixadas (estrangeiras) decidiam tudo em questões de governo", declarou.

"Graças a Deus, este período sombrio acabou", completou.

Mahdawi afirmou ainda que desde que o Talibã retornou ao poder, em meados de agosto, os dirigentes do movimento acabaram com a guerra, a corrupção e a insegurança.

O líder hazara, no entanto, pediu aos talibãs que formem um governo mais representativo e a reabertura dos centros de ensino para as mulheres.

"Nas próximas semanas esperamos a formação de um governo representativo composto por dirigentes do conjunto da sociedade", afirmou Jafar Mahdawi.

O atual Executivo, apresentado como uma equipe de transição pelos talibãs, é integrado apenas por homens, a maioria da etnia pashtun.

Durante o encontro, o porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid, declarou que a reconstrução do país é a prioridade do governo.

"Nossa jihad contra os invasores estrangeiros terminou e agora vamos começar a luta para reconstruir o país", disse.

Os hazaras, que representam entre 10% e 20% dos 38 milhões de afegãos, foram perseguidos durante séculos neste país de maioria sunita. Nas últimas décadas foram alvos dos talibãs e dos extremistas do grupo Estado Islâmico, que os consideram hereges.

Em 1998 na cidade afegã de Mazar-i-Sharif, os islamitas executaram um massacre no qual, segundo a ONG Human Rights Watch, pelo menos 2.000 civis, em sua maioria hazaras, foram assassinados.

Há algumas semanas, dois ataques foram cometidos em Cabul em um bairro habitado majoritariamente por hazaras. Um deles foi reivindicado pelo Estado Islâmico.

Em Bamiyan, cidade afegã de maioria xiita, uma estátua de um líder hazara foi decapitada em agosto, após a chegada dos talibãs ao poder. O ataque não foi reivindicado por nenhum grupo.

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