Será um dia histórico para os laboratórios Pfizer e BioNTech, que começam no Reino Unido a comercialização mundial de sua vacina contra a covid-19.

"Será o "dia V", de vacina... ou de vitória", disse o ministro da Saúde, Matt Hancock.

Com mais de 61.000 mortes, o Reino Unido é o país da Europa mais afetado pela pandemia e o quinto do mundo em número de mortes confirmadas por covid-19, superado por Estados Unidos (282.324), Brasil (176.941), Índia (140.573) e México (109.717).

Em todo o planeta, a pandemia provocou mais de 1,5 milhão de mortes e 67 milhões de contágios. Estes são os números oficiais, mas em grande parte do mundo os dados reais, certamente, são muito superiores.

Nos Estados Unidos, o país com o maior número de vítimas, os contágios superam 14,7 milhões e a pandemia ganha força.

Nas últimas semanas, em alguns dias foram registrados mais de 2.000 óbitos no país, números que recordam os momentos críticos da primeira onda da pandemia.

Nas últimas 24 horas, 181.000 novos casos foram contabilizados nos Estados Unidos, de acordo com a Universidade John Hopkins, incluindo o advogado pessoal do presidente Donald Trump, Rudy Giuliani.

- "Não baixar a guarda" -

A segunda onda obrigou as autoridades de muitos países a retomar diversas restrições, sobretudo na Europa. As medidas devem prosseguir, ao menos parcialmente, durante as festas de Natal e Ano Novo.

Este é o caso da Itália, que superou a marca de 60.000 mortes por covid-19 no domingo e onde o ministro da Saúde, Roberto Speranza, advertiu que "não será possível baixar a guarda" durante as festas.

Na Alemanha, as autoridades informaram a curva de contágios não diminuiu como o esperado e as restrições podem aumentar nos próximos dias.

A epidemia também afeta a América Latina e o Caribe, com um aumento de 18% dos casos em uma semana. A região supera 458.000 mortes e 13,5 milhões de contágios.

Mas em alguns casos a situação está melhor e as normas são flexibilizadas, como no Peru, que autorizou a reabertura nesta segunda-feira de cinemas, teatros, academias e cassinos, com público limitado.

Um vislumbre da vida normal sempre luta para prevalecer apesar das restrições. Nas últimas horas países como Venezuela, Gana e Romênia organizaram eleições em meio a importantes medidas de segurança devido à pandemia.

- Sprint final das vacinas -

O Reino Unido se unirá na terça-feira a Rússia e China, países que já iniciaram campanhas de vacinação.

A China começou a inocular uma vacina experimental produzida pela Sinopharm em alguns grupos considerados prioritários, enquanto a Rússia começou a imunizar a população no sábado com sua vacina, a Sputnik V.

A agência reguladora dos Estados Unidos deve aprovar as vacinas até o fim do mês, enquanto Bélgica, França e Espanha estão planejando campanhas de vacinação para janeiro, também voltadas em um primeiro momento para os mais vulneráveis.

De acordo com a OMS, neste momento há 51 candidatas a vacina, 13 delas na etapa final de testes clínicos.

O laboratório chinês Sinovac Biotech anunciou nesta segunda-feira que conseguiu um financiamento de 515 milhões de dólares do grupo Sino Biopharmaceutica para produzir sua vacina contra o novo coronavírus, da qual espera produzir 600 milhões de doses até o fim do ano.

A vacina está na fase 3 de testes clínicos em vários países, como o Brasil, e a agência reguladora chinesa ainda não autorizou a comercialização.

- Maratona -

Cinquenta hospitais do Reino Unido começaram a receber durante o fim de semana a primeira remessa de 800.000 doses enviadas da fábrica da Pfizer na cidade belga de Puurs.

Em um primeiro momento, a campanha será implementada apenas em hospitais, devido à necessidade de manter a vacina a uma temperatura muito baixa, entre -70ºC e -80ºC. Depois serão estabelecidos 1.000 centros de vacinação, desde ambulatórios a áreas poliesportivas.

"Saber que estão aqui e que estamos entre os primeiros do país a receber a vacina e, portanto, os primeiros do mundo, é simplesmente incrível", afirmou Louise Coughlan, farmacêutica-chefe do hospital universitário de Croydon, no sul de Londres.

A vacinação será feita de acordo com uma ordem de prioridades que começa com residentes e funcionários de casas de repouso. Os profissionais de saúde e pessoas com mais de 80 anos em uma segunda etapa, e depois o restante da população por ordem decrescente de idade.

A rainha Elizabeth II, de 94 anos, e seu marido, o príncipe Philip, de 99, estarão entre os primeiros a receber a vacina.

A campanha de vacinação será mais parecida com "uma maratona ou uma corrida de fundo, mais do que uma corrida de velocidade", advertiu o diretor médico do Serviço Nacional de Saúde (NHS), Stephen Powis.

O Reino Unido pediu 40 milhões de doses desta vacina, suficientes para 20 milhões de pessoas porque cada indivíduo deve receber duas doses com 21 dias de diferença.

Isto representa menos de um terço de sua população (66,5 milhões), mas o país conta com a autorização em breve de outras vacinas, especialmente a britânica da AstraZenaca/Oxford, para ampliar a campanha de imunização.

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