A declaração voluntária foi apresentada por seu advogado e, segundo fontes citadas pelo jornal, estava relacionada a uma investigação em andamento sobre corrupção com uso de cartão de crédito.

A investigação legal foi confirmada no mês passado pelo procurador-geral espanhol.

Fontes judiciais disseram à AFP que estavam investigando se o ex-rei usava cartões vinculados a contas não registradas em seu nome, o que poderia constituir um possível crime de lavagem de dinheiro.

Segundo essas fontes, fundos depositados em várias contas espanholas controladas por uma empresa mexicana e um oficial da Força Aérea espanhola estão sob investigação para saber se o monarca teve acesso a elas.

Os promotores haviam enviado solicitações judiciais ao exterior para determinar se o dinheiro depositado nas contas havia sido escondido das autoridades fiscais.

Se comprovados, os feitos poderiam constituir crime de lavagem de dinheiro, pelo qual Juan Carlos poderia ser processado, já que a movimentação de fundos e o uso de cartões de crédito ocorreram após sua abdicação, em junho de 2014.

Um porta-voz da agência tributária espanhola não pôde confirmar ou negar as informações do El País sobre a declaração voluntária, e disse que por motivos jurídicos a agência não poderia comentar casos específicos.

Também não houve resposta do escritório do advogado.

Segundo o El País, o Tesouro está analisando o documento e vai decidir nos próximos dias se precisa de mais informações e quais ações tomar.

Há quatro meses, o ex-chefe de Estado, cujas finanças estão sendo investigadas em outros dois casos, foi morar nos Emirados Árabes Unidos.

A primeira investigação foi aberta há dois anos, quando os promotores examinaram um contrato de um trem de alta velocidade saudita, realizado por um consórcio de empresas espanholas em 2011, para saber se o então monarca cobrava comissão.

De acordo com o jornal suíço La Tribune, o falecido rei Abdullah depositou US$ 100 milhões em um banco privado suíço em 2008 ao qual Juan Carlos I teve acesso, levantando suspeitas de que se tratava de uma comissão pelo contrato concedido três anos depois.

A investigação começou após as revelações da ex-amante do monarca octogenário, Corinna Larsen, e agora investigadores da Espanha e da Suíça examinam suas finanças.

Os conteúdos mais inspiradores e atuais!

Ative as notificações do SAPO Brasil e fique por dentro.

Siga-nos na sua rede favorita.