"A redução da poluição atmosférica dos Estados Unidos e Europa ajudou enormemente a saúde humana, mas minha pesquisa demonstra que, às vezes, coisas boas têm consequências indesejadas", disse nesta sexta-feira (13) por videochamada o autor do estudo, Hiroyuki Murakami, do Escritório Nacional de Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês).

O trabalho publicado nesta quarta-feira na revista Science Advance indicou que, nas últimas quatro décadas, o número de tempestades tropicais aumentou em 33% no Atlântico Norte, como consequência de 50% de diminuição nos aerossóis (pequenas partículas contaminantes) na América do Norte e Europa.

"A contaminação atmosférica bloqueia os raios do sol, o que provoca o resfriamento da superfície do oceano, algo que gera condições desfavoráveis para os furacões", explicou Murakami.

"O contrário acontece se a contaminação atmosférica cai. O sol consegue esquentar mais o oceano, e esse aquecimento alimenta os furacões", acrescentou.

O estudo comprovou uma situação contrária na Ásia onde, no mesmo período, um aumento de 40% da poluição por partículas contribuiu para que o número de ciclones tropicais no oeste do Pacífico Norte caísse em 14%.

Com esses resultados, Murakami se pergunta se as temporadas de furacões muito ativas dos últimos anos tiveram ligação com a desaceleração da indústria provocada pela pandemia de covid-19.

O cientista acredita que, nas próximas décadas, a poluição por partículas de origem humana se manterá estável no Atlântico Norte e que o aumento dos gases do efeito estufa se tornará uma influência mais significativa nos ciclones tropicais.

Segundo ele, haverá menos tempestades tropicais, mas as que ocorreram serão mais intensas.

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