Diante das manifestações que ocorreram nas últimas semanas em diferentes lugares da ilha, os dirigentes do governo devem "falar com as pessoas, com transparência e sensibilidade(...), mostrando a cara", disse na noite de quinta-feira (4) o âncora Michel Torres.

Esta é uma posição incomum nos meios estatais sobre as manifestações em Cuba, onde a imprensa independente é ilegal.

O programa "Con filo", exibido duas vezes por semana em horário nobre, surgiu como uma resposta oficial às críticas contra o governo de Miguel Díaz-Canel nas redes sociais, nas quais interagem os "odiadores", como as autoridades chamam seus detratores, e as "ciberclarias", denominação dos primeiros aos defensores do governo.

Torres pediu que os servidores respondessem com "zero repressão e muito diálogo", como ocorreu na última terça-feira, quando mães com seus filhos bloquearam a rodovia Autopista Nacional e exigiram ser atendidas pelo presidente Díaz-Canel.

Em 14 de julho, dezenas de pessoas foram às ruas em Los Palacios, 116 km a oeste de Havana, para protestar com panelaços contra um apagão. Não houve registro de vandalismo nem repressão.

Desde então, dezenas de protestos se sucederam, quase sempre à noite, contra os apagões, que, desde maio, castigam a ilha, alguns de até 12 horas.

De acordo com o meio independente El Toque, até 3 de agosto houve 26 protestos.

Essas manifestações acontecem um ano depois dos protestos de julho do ano passado, quando multidões saíram às ruas em mais de 50 vilarejos e cidades nos maiores protestos em 60 anos.

Com atos de violência de manifestantes e forte repressão policial, os protestos do ano passado deixaram um morto, dezenas de feridos, e mais de 1.300 detidos. Destes, cerca de 700 continuam na prisão, segundo a ONG Cubalex, que tem sede em Miami, nos Estados Unidos.

A nova Constituição cubana permite a liberdade de manifestação e de reunião, "sempre que se exerça com respeito à lei e à ordem pública, e sempre que tenha um caráter pacífico e não pretenda atentar contra o sistema que escolhemos democraticamente no referendo de 2019", alegou Torres.

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