A caótica retirada do Afeganistão por parte das tropas dos Estados Unidos e da Otan provocou a retomada do debate sobre a autonomia militar da UE e Von der Leyen disse: "O que nós precisamos é de uma União Europeia da Defesa".

"Chegou o momento para que a UE dê um passo a mais para defender-se dos ataques virtuais, atuar onde a Otan e a ONU não estão presentes e administrar as crises a tempo", destacou a chefe do Executivo europeu durante o discurso sobre o Estado da União.

Von der Leyen antecipou que organizará uma reunião de cúpula dedicada à Defesa no primeiro semestre de 2022, mas o projeto para criar uma força europeia de resposta rápida de 5.000 soldados, em discussão há vários meses, ainda está longe de ser unanimidade.

"Você pode ter as forças mais avançadas do mundo, mas se nunca está preparado para usá-las para quê servem?", questionou Von der Leyen, que criticou uma "falta de vontade política"'.

Em seu discurso no Parlamento Europeu, Von der Leyen defendeu com veemência sua gestão da pandemia de covid-19, mas pediu mais vacinas na UE e em todo o mundo para que todos consigam virar a página.

- "Uma questão de soberania" -

A Comissão tem a intenção de aproveitar o colossal plano de recuperação pós-pandemia para construir uma economia europeia mais verde e digital, ao mesmo tempo que busca fortalecer a autonomia industrial do continente.

Por este motivo, Von der Leyen pediu incentivos à produção europeia de semicondutores, uma tecnologia crucial e da qual a UE continua dependente da Ásia.

"É uma questão de soberania", disse.

Acima de tudo, Bruxelas pretende confiar em seu ambicioso Pacto Verde e nos objetivos europeus para reduzir as emissões de gases de efeito estufa para conciliar a recuperação econômica e as preocupações com o meio ambiente.

"A Europa não pode fazer tudo por si só. As principais potências econômicas, Estados Unidos ou Japão, estabeleceram metas de neutralidade climática para 2050 ou pouco depois, como a UE, mas estes objetivos devem estar respaldados por planos concretos".

O Acordo de Paris estabelecia que a comunidade internacional proporcionaria 100 bilhões de dólares, ou o valor equivalente, por ano até 2025 para financiar a "ação climática" nos países mais vulneráveis.

Mas se a UE doar 25 bilhões de dólares por ano, "o enorme vazio deixado por outros coloca a meta global fora de alcance", disse, antes de se comprometer a aumentar a contribuição europeia em 4 bilhões por ano até 2027.

- Economia pós-pandemia -

"Precisamos pensar em como a crise mudou a face de nossa economia, do aprofundamento da dívida até as repercussões desiguais em diferentes setores, incluindo novas formas de trabalhar", afirmou.

Diante de uma recuperação ainda precária, a UE "não repetirá o erro" cometido após a última crise financeira, quando um retorno precipitado à austeridade fiscal levou o continente à recessão.

Embora a Comissão Europeia mantenha um confronto com a Polônia e a Hungria sobre o respeito ao Estado de direito, Von der Leyen apenas mencionou "a evolução preocupante de certos Estados com os quais o diálogo não é suficiente", mas evitou citar nomes.

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