Em janeiro, seis ONGs, entre elas a Human Rights Watch e a ramificação francesa da Anistia Internacional, alertaram que recorreriam a ações judiciais, se o governo não tomasse medidas para encerrar o que elas chamam de "controles de identidade discriminatórios" em um prazo de quatro meses.

Nesta quinta-feira, afirmaram que levarão sua denúncia ao Conselho de Estado, o mais alto tribunal administrativo da França, depois de não receberem resposta das autoridades.

Issa Coulibaly, presidente da ONG Pazapas Belleville, uma das seis que impulsionam a ação francesa, afirmou que a abordagem constante de jovens de minorias para que mostrem sua identidade tem um impacto profundo.

"É algo que aparece muito frequentemente nas histórias pessoais dos jovens", disse, explicando que cria "um sentimento de exclusão e a impressão de não ser completamente francês, porque é tratado de forma diferente".

Os jovens franceses de origem africana, ou árabe, reclamam há muito tempo que são abordados pela polícia para controles de identidade na rua e no transporte público.

Vários casos de jovens de bairros predominantemente imigrantes - que foram feridos, ou mortos, pela polícia - também revelam o que os ativistas chamam de "padrão de racismo sistêmico" nas forças de ordem.

As imagens de policiais brancos agredindo um produtor musical negro desarmado em seu estúdio de Paris, em novembro de 2020, desencadearam protestos dos ativistas franceses do Black Lives Matter.

Um estudo realizado em 2009 pela ONG Iniciativa pela Justiça e pelo estatal Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) mostrou que, em Paris, os negros têm seis vezes mais probabilidades do que os brancos de serem abordados para mostrarem sua identidade.

As pessoas com características consideradas "árabes" têm oito vezes mais probabilidades de serem abordadas para esse tipo de averiguação.

As ONGs pedem uma modificação no Código Penal francês para proibir explicitamente a discriminação nos controles de identidade.

O presidente Emmanuel Macron reconheceu esses problemas em dezembro passado, afirmando que, "quando você tem uma cor de pele que não é branca, você é muito mais abordado. Identificam você como um fator problemático. E isso não é justificável".

Depois de protestos dos sindicatos policiais, pareceu, no entanto, recuar em suas declarações, afirmando em abril que "não existe racismo sistêmico" no corpo da polícia.

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