O ministro, integrante do governo mais à direita que Israel já teve, realizou a visita acompanhado por membros das forças de segurança israelenses, enquanto um drone sobrevoava a Esplanada, disseram à AFP guardas do local.

Após a partida de Ben Gvir, a situação na área se acalmou e fiéis e visitantes puderam entrar no local sem impedimentos, confirmou um jornalista da AFP.

A Esplanada das Mesquitas, o terceiro local mais sagrado do Islã e o mais sagrado do Judaísmo, fica na Cidade Velha de Jerusalém, no setor palestino ocupado e anexado por Israel.

Em virtude de um "status quo" histórico, os não muçulmanos podem ir lá em determinados horários, mas não podem rezar.

Nos últimos anos, porém, um número crescente de judeus, em geral nacionalistas, vão ao lugar para fazer orações, o que os palestinos denunciam como uma "provocação".

Ben Gvir, que foi várias vezes à Esplanada como deputado, já havia anunciado sua intenção de ir como ministro, o que o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, chamou de "prelúdio de uma escalada na região".

"Nosso governo não cederá às ameaças do Hamas", declarou Ben Gvir na manhã de hoje.

"Se o Hamas acredita que me ameaçar vai me dissuadir, que entenda que os tempos mudaram", escreveu o ministro no Twitter após sua visita.

O movimento islâmico palestino Hamas descreveu a intenção do ministro como "prelúdio de uma escalada na região".

- Condenações -

"Nosso povo palestino continuará defendendo seus lugares sagrados e a Mesquita de Al-Aqsa", reagiu o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, na terça-feira, chamando a visita de "crime".

O Ministério das Relações Exteriores da Jordânia denunciou uma "provocação" que pode ser o prenúncio de uma "escalada" e convocou o embaixador de Israel em Amã.

Os Emirados Árabes Unidos e o Marrocos, que estabeleceram relações diplomáticas com Israel em 2020, igualmente se manifestaram contra a ação de Ben Gvir.

Abu Dhabi "condenou fortemente a invasão do pátio da Mesquita de Al-Aqsa por um ministro israelense". Rabat fez um apelo para que se "evite a escalada e ações unilaterais e provocativas".

A Arábia Saudita, a Liga Árabe e a Organização de Cooperação Islâmica também condenaram a visita.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, arqui-inimigo de Israel, disse que se tratava de "uma violação das normas internacionais e um insulto aos valores muçulmanos no mundo".

Por sua vez, o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Tom Nides, afirmou que seu governo "deixou claro que se opõe a qualquer movimento que possa minar o status quo nos locais sagrados", segundo um porta-voz do Escritório de Assuntos Palestinos dos EUA.

Em um comunicado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, indicou que estava "determinado a manter estritamente o status quo", dizendo que outros ministros visitaram a Esplanada no passado.

- Barril de pólvora -

Enquanto isso, o líder da oposição, Yair Lapid, também criticou a visita.

"Isso é o que acontece quando um primeiro-ministro fraco é forçado a entregar responsabilidades à pessoa mais irresponsável do Oriente Médio no lugar mais explosivo do Oriente Médio", tuitou.

Em 2000, a visita de Ariel Sharon, então chefe da oposição de direita de Israel, a este local sagrado foi vista como uma provocação pelos palestinos.

No dia seguinte, confrontos violentos entre palestinos e policiais israelenses marcaram o início da Segunda Intifada (revolta palestina, 2000-2005).

Em maio de 2021, após a violência na Esplanada e em outras partes de Jerusalém Oriental, o Hamas disparou foguetes contra Israel, iniciando uma guerra de 11 dias.

Itamar Ben Gvir, advogado que vive em um dos assentamentos mais radicais da Cisjordânia ocupada, defende a anexação israelense desse território, onde vivem cerca de 2,9 milhões de palestinos e 475 mil israelenses, estes últimos em colônias consideradas ilegais pelo direito internacional.

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