Ao prestar contas públicas ao Congresso, no porto de Valparaíso, o presidente reconheceu ter cometido um equívoco na entrega e distribuição de ajuda econômica aos setores mais pobres diante dos estragos causados pelo coronavírus, considerado tardio e insuficiente por seus adversários.

"Sem dúvida nos equivocamos. Muitas pessoas sentiram raiva e frustração por nem sempre receberem a ajuda de que precisavam na hora certa e pedimos desculpas a elas", afirmou Piñera em sua última prestação de conta pública antes de deixar o poder em março de 2022.

No entanto, o presidente afirmou ter "feito tudo ao nosso alcance para buscar soluções justas e responsáveis para o imenso número de problemas e dificuldades que as famílias chilenas têm enfrentado".

Até março, o governo Piñera afirmava ter gasto o equivalente a 10% do PIB chileno (cerca de US$ 283 bilhões em 2019, com queda de 5,8% em 2020) com assistência social, embora alguns economistas calculassem que apenas um quinto desse gasto foi diretamente parar nos bolsos dos chilenos.

Diante de reclamações sobre o atraso e o baixo valor da ajuda financeira, os parlamentares da oposição promoveram três saques antecipados consecutivos de fundos de pensão privados (10% de cada vez), enquanto o governo propôs novas ajudas e bônus para aqueles que tiveram seus fundos de pensão zerados (cerca de três milhões de pessoas).

O presidente também se referiu à Carta Magna que deverá elaborar a Convenção Constitucional que começará a funcionar no início de julho, composta por 155 convencionalistas eleitos nas eleições de 15 e 16 de maio, em sua maioria independentes da esquerda.

A elaboração da nova Constituição - que substituirá o texto herdado da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) - foi a solução política pactuada para canalizar os massivos protestos sociais que eclodiram a partir de 18 de outubro de 2019, que deixaram cerca de trinta mortes e milhões em danos ao comércio e ao mobiliário público.

"Há mais de 40 anos que discutimos e nos confrontamos sobre a Constituição. A Constituição nunca deve ser um fator de divisão. Muito pelo contrário, em países sábios, é sempre o grande marco de unidade, estabilidade e projeção do países e povos rumo ao futuro", concluiu Piñera.

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