Na quarta-feira à noite, uma imagem chegou às redes sociais uma hora antes do prazo para formar um governo anti-Netanyahu: Mansur Abas apareceu ao lado do centrista Yair Lapid e do chefe da extrema direita Naftali Bennett, os três sorrindo.

Ao assinar um acordo para a formação de uma "coalizão de mudança", formada por partidos judaicos, tanto da esquerda como da direita, o grupo islâmico Raam (quatro deputados) desencadeou intensas negociações políticas e fez o que nenhum partido árabe havia feito.

Em 1992, os deputados árabes apoiaram, mas não aderiram, a uma coalizão trabalhista, no contexto do processo de paz com os palestinos.

"Não estamos apenas no Kneset (parlamento), também obtivemos legitimidade para influenciar o sistema político israelense", se congratulou Mansur Abas na quinta-feira na rádio do exército israelense.

Os árabes israelenses, descendentes dos palestinos que permaneceram em suas terras quando o Estado de Israel foi criado em 1948, constituem um quinto da população israelense.

Esta minoria, que recentemente se mobilizou em apoio aos palestinos em Gaza e na Cisjordânia durante os confrontos com Israel, afirma ser vítima de discriminação por parte da maioria judaica.

Antes das eleições de março, Mansur Abas quebrou um tabu ao se declarar disposto a trabalhar com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para ajudar sua comunidade, atingida pela criminalidade. E ele decidiu abandonar a "Lista Unida" dos partidos árabes israelenses para se candidatar sozinho nas eleições.

"Não confio no governo israelense, seja de direita ou de esquerda", disse à AFP Eilaf Daghash, habitante árabe da Galiléia (norte de Israel), "chateado e desapontado" com o apoio de Mansur Abbas à coalizão liderada pelo centrista Lapid.

Os termos do acordo de coalizão, que atualmente existe apenas em um documento e deve ser aprovado pelo Parlamento, ainda não são conhecidos.

Mas Raam afirma ter garantido uma quantia em benefício da comunidade árabe, obtido o cargo de vice-presidente do Parlamento e também a presidência de uma comissão.

Mansur Abas age assim porque pensa que as mudanças políticas em favor dos árabes "não podem ser feitas repentinamente, mas gradualmente", disse Amal Jamal, professor de ciência política da Universidade de Tel Aviv, à AFP.

Mas com um partido de quatro deputados, nas 120 cadeiras do Parlamento israelense, "ele nunca terá poder suficiente para impor sua vontade", estima o professor.

Os outros partidos árabes denunciaram imediatamente esse apoio. Em nota, dois deles consideram que tal apoio "dá legitimidade a uma política que nega os direitos dos palestinos".

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