Mujica, que passou 12 anos na prisão por integrar o Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros, lembrou que, "para além dos partidos e das definições", a política é "essencial" porque com ela se define a "distribuição".

"A política não é uma profissão para fazer dinheiro; quem quiser enriquecer que vá para o comércio ou a indústria e que pague impostos; a política é uma paixão", disse o ex-presidente durante o ato de encerramento da assembleia mundial de Emaús, organização que combate a pobreza e a exclusão social.

Diante de uma centena de representantes de todo o mundo da organização, Mujica, de 86 anos, que deixou a política ativa em 2020 após renunciar a seu assento no Senado, advertiu que "frequentemente, os povos, e sobretudo os mais pobres, se sentem espoliados não só do ponto de vista econômico, mas também ofendidos" pelas políticas dos cargos eletivos.

"Não inventaram as repúblicas e as democracias modernas para sustentar sociedades nobiliárias, como antigamente", afirmou o ex-presidente, lembrando que "as sociedades fizeram revoluções após a utopia de que somos iguais".

Mas para Mujica, esta máxima vai no caminho contrário: "estamos cada vez em um mundo mais rico, mais cheio de desafios materiais, com um avanço científico, mas com uma desigualdade lacerante que cresce".

Por isso, o ex-presidente esquerdista pela Frente Ampla, advertiu que se a sociedade quer apoiar a democracia, tem que estar atenta e se preocupar "em como são os eleitos para a condução política".

Também instou os cidadãos a "se definirem porque têm que se posicionar diante da dor e da angústia de tanta gente".

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