"Sonho com uma Europa saudavelmente laica. Uma terra aberta à transcendência, onde quem é crente seja livre para professar publicamente a fé e propor o próprio ponto de vista na sociedade", acrescentou na carta ao Secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin em representação das igrejas.

O número dois do Vaticano deveria viajar a Bruxelas de 28 a 30 de outubro para participar na comemoração de vários aniversários vinculados à igreja católica e União Europeia, mas o encontro foi cancelado pelo novo surto de coronavírus em todo o continente.

"Sonho, então, com uma Europa amiga da pessoa e das pessoas. Uma terra onde a dignidade de todos seja respeitada, onde a pessoa seja um valor em si e não o alvo de um cálculo econômico ou uma mercadoria", destaca o chefe da igreja católica.

"A Europa é uma autêntica família de povos, distintos entre si, mas unidos por uma história e um destino comum. Os últimos anos, e ainda mais a pandemia, demonstraram que ninguém pode sair adiante sozinho e que um certo modo individualista de entender a vida e a sociedade leva somente ao desânimo e à solidão", alerta.

"Uma Europa comunidade, solidária e fraterna, saberá aproveitar as diferenças e a contribuição de cada um para enfrentar juntos as questões que lhe esperam, começando pela pandemia, mas também o desafio ecológico, que não se limita apenas à proteção dos recursos naturais e à qualidade do ambiente em que vivemos", reitera.

"É sobre escolher entre um modelo de vida que descarta pessoas e coisas, e um inclusivo que valoriza o que foi criado e as criaturas", concluiu.

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