"Durante esses 18 meses de pandemia que vivemos em Cuba, houve uma tendência de aumento no consumo de substâncias psicoativas, além de outras práticas viciantes", como as "tecnoadições" - vício em tecnologia - afirmou o chefe do Departamento de pesquisa em dependências da Universidade de Ciências Médicas de Havana, Reinaldo Fabelo.

Esse aumento ocorre "não só nas pessoas que já têm diagnóstico de dependência", mas naquelas que, "infelizmente, iniciaram o uso habitual, compulsivo de drogas durante a pandemia", acrescentou o especialista.

Ele especificou que, para além do aumento do consumo de álcool e tabaco, que "constituem um problema (de saúde) nacional", "no contexto dos jovens predomina o consumo de (...) 'químicos' (drogas sintéticas), cannabis e de alguns medicamentos anticonvulsivantes e opioides, como a carbamazepina e o tramadol", que os jovens costumam misturar "com álcool e bebidas energéticas".

Fabelo destacou que, "como se espera num contexto" de isolamento e trabalho e educação a distância, "predomina o vício comportamental ligado às tecnologias", entre elas a "dependência de redes sociais e telefonia móvel", que "também estão causando comportamento compulsivo".

Em seu relatório anual, divulgado em junho, o Escritório das Nações Unidas conta Drogas e Crime (Unodc) observou que cerca de 275 milhões de pessoas em todo o mundo usaram drogas em 2020, em comparação com 269 milhões em 2018.

De acordo com o relatório, a maioria dos países informou um aumento no uso de cannabis durante a pandemia, assim como um aumento no uso não medicinal de produtos farmacêuticos.

Cuba, com 11,2 milhões de habitantes, há dois meses enfrenta um aumento acentuado das infecções. A ilha acumulava 768.497 casos e 6.523 mortes até esta quarta-feira.

Os conteúdos mais inspiradores e atuais!

Ative as notificações do SAPO Brasil e fique por dentro.

Siga-nos na sua rede favorita.