Após dois dias de negociações em Bruxelas através dos seus representantes permanentes, os 27 países chegaram a uma "solução pontual" que permitirá a distribuição de "cerca de três milhões de doses aos Estados-membros que mais precisam", anunciou o gabinete de Portugal, na presidência semestral da UE.

As discussões sobre como distribuir e alocar aquelas 10 milhões de doses caíram em Áustria, Eslovênia e República Tcheca.

No entanto, um grupo de 19 países decidiu manifestar a sua solidariedade para com a Bulgária, Croácia, Estônia, Letônia e Eslováquia, os países que enfrentam maiores dificuldades.

Esses cinco países receberão sua cota das 10 milhões de vacinas e serão divididas outras 2.854.654 doses concedidas por seus aliados.

Alemanha, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Polônia, Portugal, Romênia e Suécia distribuirão 6,66 milhões de doses da vacina.

Uma proposta de compromisso apresentada por Portugal previa uma distribuição de 7 milhões de doses em acordo pro rata segundo a população de cada país e 3 milhões de doses para os cinco países em dificuldade.

No entanto, esta proposta de 'solidariedade' colidiu com a oposição de austríacos, eslovenos e checos.

O chanceler austríaco, Sebastian Kurz, destacou que, graças à sua intransigência, o seu país vai receber 199 mil doses, em vez das 139 mil que corresponderiam à proposta portuguesa.

Um diplomata europeu, porém, deplorou o gesto de Kurz. "Ele mostrou falta de solidariedade e abandonou a Bulgária, Estônia, Croácia, Letônia e Eslováquia. Ele se contenta em escrever cartas e defraudar seus aliados", disse a fonte.

Esses dez milhões de doses correspondem a um lote que a BioNTech / Pfizer se comprometeu a entregar no segundo trimestre, e fazem parte de 100 milhões de doses que não deveriam estar disponíveis inicialmente até o terceiro trimestre de 2021.

As doses encomendadas pela UE aos laboratórios são distribuídas entre os 27 em proporção à sua população.

Se um estado decidir não comprar sua participação, suas doses são redistribuídas entre os países envolvidos.

No entanto, alguns países não solicitaram doses suficientes ou confiaram demais na vacina AstraZeneca, afetada por graves problemas de produção e distribuição.

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