"Os 7 de Chicago" recebeu o prêmio de Melhor Elenco, o que mais se aproxima de Melhor Filme nos prêmios do Sindicado dos Atores Americanos (conhecidos por SAG), conhecidos do domingo à noite (4).

Vencendo "Da 5 Bloods", “Ma Rainey: A Mãe do Blues”, "Minari" e "Uma Noite em Miami", o filme de Aaron Sorkin para a Netflix se torna o concorrente mais sério ao favorito "Nomadland - Sobreviver na América" na corrida aos Óscares (que não estava nomeado para Melhor Elenco pois é formado principalmente por não atores).

Os SAG são um importante indicador das tendências do interior de Hollywood já que, estatisticamente, parte dos votantes também pertencerá à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que atribui os Óscares.

Frank Llangella, que interpretou o juiz Julius Hoffman no filme, recordou as palavras de Martin Luther King ao aceitar em nome de todos os atores.

"Deus, nos dá líderes, disse o reverendo Martin Luther King, antes de ser abatido a sangue frio nesta mesma data em 1968 - uma injustiça profunda. O Julgamento dos 7 de Chicago começou 18 meses mais tarde, dirigido por um juiz corrupto - eu. [O realizador e argumentista] Aaron Sorkin estava determinado em contar as suas histórias e a sua realização respeitosa transformou um grupo de atores díspares num conjunto. O reverendo King estava correto. Precisamos de líderes que nos orientem a odiar menos uns aos outros. Temos uma dívida de agradecimento às vozes dos 7 de Chicago e especialmente a Aaron Sorkin, o nosso líder, cuja voz é a alma deste filme", declarou o ator.

Tal como outros eventos da temporada, a cerimónia adaptou-se à pandemia: foi transmitida numa versão editada de uma hora e em diferido no domingo à noite nos canais TNT e TBS.

Os nomeados já se tinham juntado virtualmente por zoom na quarta (os das séries) e quinta-feira (os dos filmes), época em que se conheceram os vencedores e foram gravados os discursos.

Apesar dos acordos por escrito a envolver os atores e os seus representantes, a lista dos vencedores na área dos filmes começou a circular logo na quinta-feira nas redes sociais, embora tenha sido encarada com ceticismo por ser o Dia da Mentiras.

Ainda assim, a maior surpresa dos SAG é a escolha de Viola Davis como Melhor Atriz por “Ma Rainey: A Mãe do Blues”, se juntando à previsível escolha do colega Chadwick Boseman como Melhor Ator a título póstumo.

A categoria das atrizes principais será a mais incerta para a noite dos Óscares de 25 de abril: os SAG escolheram Viola Davis, os Globos de Ouro optaram por Andra Day ("The United States vs. Billie Holiday"), que nem estava nomeada pelo sindicato dos atores, enquanto os Critics Choice elegeram Carey Mulligan ("Uma Miúda com Potencial").

A confusão pode aumentar com os prêmios BAFTA (os prêmios da Academia britânica) pois após um novo sistema de júri ter escolhido as nomeações dos atores, apenas Vanessa Kirby ("Pieces of a Woman") e Frances McDormand ("Nomadland") coincidem com a corrida às estatuetas de Hollywood.

Esperada era a escolha de Daniel Kaluuya como Ator Secundário por "Judas e o Messias Negro", juntando-se a Chadwick Boseman como as apostas mais seguras dos atores na corrida aos Óscares.

Já a sul coreana Youn Yuh-jung foi escolhida como Melhor Atriz Secundária por "Minari", inclinando a seu favor o favoritismo que até agora era repartido principalmente por Maria Bakalova ("Borat, O Filme Seguinte"), Glenn Close ("Hillbilly Elegy") e Amanda Seyfried ("Mank").

Pelo trabalho dos duplos, foi premiada a equipe de "Mulher-Maravilha 1984".

"The Crown" repete nas séries

The Crown

Também nas séries a sorte favoreceu principalmente a Netflix: vencendo "Better Call Saul", "Bridgerton", "Lovecraft Country" e "Ozark", pelo segundo ano consecutivo "The Crown" recebeu o prêmio para Melhor Elenco de Drama, com Gillian Anderson também sendo distinguida como Melhor Atriz pela interpretação de Margaret Thatcher.

Entre os atores no mesmo gênero, Jason Bateman recebeu o troféu por "Ozark".

Para o prêmio de Melhor Elenco de Comédia, "Schitt’s Creek" ultrapassou "Dead to Me", "The Flight Attendant", "Ted Lasso" e "The Great" e "Schitt’s Creek", repetindo o domínio dos Emmys e Globos de Ouro. A série  recebeu ainda um prêmio individual para Catherine O’Hara como Melhor Atriz.

Entre os atores, Jason Sudeikis arrecadou mais um troféu pela série "Ted Lasso".

Tal como aconteceu em outros eventos, as categorias de interpretação em Telefilme ou Minissérie tiveram como vencedores Mark Ruffalo ("I Know This Much is True") e Anya Taylor Joy ("Gambito de Dama").

"The Mandalorian" recebeu o prêmio reservado ao trabalho dos duplos em séries de drama ou comédia.

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