O líder da oposição israelense, o centrista Yair Lapid, ligou para o presidente israelense à noite para anunciar que ele havia garantido o apoio necessário para uma coalizão que acabará com o governo do primeiro-ministro mais antigo do país.

Sua equipe divulgou uma imagem deste acordo de coalizão, assinado pelos líderes de oito partidos israelenses - dois de esquerda, dois de centro, três de direita e um árabe - que poderia marcar um ponto de inflexão na história política de Israel.

"Este governo estará a serviço de todos os cidadãos de Israel, inclusive aqueles que não são membros, respeitará aqueles que se opõem e fará tudo o possível para unir" a sociedade israelense, declarou Lapid ao presidente, segundo o comunicado.

Lapid, que tinha até 23h59 (17H59 no horário de Brasília), fez este anúncio depois de formalizar o apoio dos partidos de direita e da formação de Arab Raam durante a noite para seu futuro governo, disse seu gabinete.

Nesta ocasião, o partido Raam, do islamita Mansur Abbas, não informou se participaria ativamente do governo.

A coalizão é tão heterogênea e improvável que discorda em quase todos os temas, da relação com os palestinos à recuperação econômica, passando pelo espaço ocupado na religião na política.

Seu único ponto em comum é o desejo de acabar com a era Netanyahu, que chegou pela primeira vez ao poder há 25 anos e governou de 1996 a 1999, antes de ser reeleito em 2009, desde quando atua como o primeiro-ministro. Atualmente, está sendo julgado por corrupção.

- Final aberto -

O líder da oposição e seus aliados têm agora sete dias para distribuir as pastas e obter o apoio do Parlamento, que abre um período em que tudo ainda é possível.

Netanyahu, seu partido de direita, o Likud, e seus advogados estão lutando para impedir que o primeiro acordo de coalizão sem ele em dois anos obtenha a aprovação parlamentar.

De acordo com a imprensa israelense, o presidente do Parlamento, Yariv Levin (Likud), poderia adiar em uma semana o voto de confiança no Parlamento com a esperança de, neste período, dividir o campo anti-Netanyahu.

Em frente ao hotel onde acontecem as discussões, centenas de manifestantes a favor ou contra a "coalizão de mudança" se reuniram com bandeiras israelenses, em meio a forte vigilância policial, apurou a AFP.

Em uma coincidência de datas, os israelenses ainda estavam sem governo na quarta-feira, mas tinham um presidente recém-eleito. O parlamento elegeu o trabalhista Isaac Herzog, de 60 anos, para este cargo essencialmente honorário.

Durante a sessão do Knesset, alguns dos principais protagonistas do drama político israelense, parecendo cansados, confiantes e preocupados, continuaram as negociações.

O líder do partido de extrema direita Yamina, Naftali Bennett, que se juntou ao campo anti-Netanyahu na segunda-feira, pode se tornar primeiro-ministro, em um exercício de rotação de poder com Lapid.

Em meados de maio, o Lapid recebeu a missão de formar um governo após o fracasso do atual primeiro-ministro com base nos resultados das eleições de março, as quartas em dois anos.

E alertou que a tentativa, marcada por um conflito de 11 dias entre Israel e o movimento islâmico palestino Hamas, continua perigosa.

Netanyahu está sendo julgado por "corrupção" em três casos, o que faz dele o primeiro chefe de Governo israelense que enfrenta acusações penais enquanto está no cargo. Se deixar o poder, ele voltará a ser um simples de deputado e perderá a influência para tentar aprovar uma lei que o proteja de seus problemas legais.

Em um clima de intensa tensão, em que os partidários de Netanyahu veem um acordo governamental como uma "traição", a segurança de Bennett e Lapid foi reforçada.

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