Julio Borges, delegado do líder da oposição Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por cinquenta países, viajou a Washington para apresentar os resultados de uma investigação sobre uma operação que, segundo estimativas, envolve cerca de 300 toneladas de ouro desde 2014, além da Rússia, Mali e Emirados Árabes Unidos (EAU).

O relatório foi apresentado na terça-feira ao Departamento do Tesouro e nesta quarta-feira ao comitê de Relações Exteriores do Senado, informou Borges em videoconferência de imprensa.

A Venezuela - que mantém 85,7 toneladas de ouro no Banco Central no valor estimado de 5,05 bilhões de dólares, segundo seu último balanço de dezembro de 2020 -, tem sérios problemas de liquidez, agravados pelo colapso da produção e do preço do petróleo, além das sanções dos Estados Unidos.

Desde 2014, as reservas de ouro caíram 275 toneladas, de acordo com dados oficiais.

O governo também iniciou um processo para repatriar cerca de 30 toneladas de ouro venezuelano do Banco da Inglaterra, recursos que garantiu que serão usados para enfrentar a crise humanitária gerada pela pandemia.

Borges garantiu que a operação com os Emirados Árabes Unidos, "o centro nevrálgico deste grande roubo de riquezas da Venezuela", permitiu a Maduro acessar "um pouco mais ou pouco menos de 1 bilhão de euros", ou 1,2 bilhão de dólares, em 2020.

- Militares "enjoados" -

O dirigente da oposição afirmou ter "evidências de toda essa conspiração", como "documentos, fotos ou vídeos".

Borges garantiu que as barras eram transportadas da Venezuela em um avião russo para uma refinaria no Mali para "remover marcas que as identificam como ouro venezuelano".

"Uma vez derretidas, vão para outro avião, procedente dos Emirados Árabes Unidos, onde é colocado o ouro venezuelano derretido e feita a troca por dinheiro (...) que passa para o avião russo" que "retorna para a Venezuela".

A investigação, disse Borges, começou graças a informações fornecidas por oficiais das Forças Armadas, "absolutamente enjoados com a forma como a Venezuela está sendo roubada".

O representante de Guaidó destacou que a maior parte do ouro vai para os Emirados Árabes Unidos, embora algumas vezes tenha ido para a Líbia e a Suíça.

Borges pediu aos Estados Unidos uma investigação mais aprofundada e sanções aos supostos envolvidos, entre eles o ministro do Petróleo Tareck El Aissami e o empresário colombiano Alex Saab, detido em Cabo Verde e com pedido de extradição pela Justiça americana por outro caso de corrupção ligado a Maduro.

Dois cidadãos franceses, membros da financeira dos Emirados Noor Capital, apontados por Borges como responsáveis pela troca do ouro por dinheiro, também estariam vinculados à operação, afirmou.

O governo venezuelano não atendeu aos pedidos da AFP para comentar a denúncia.

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