A reunião da aliança formada pelos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus dez aliados, a terceira este ano, é realizada por videoconferência.

O tom foi dado pelo ministro saudita de Energia e líder da aliança, Abdelaziz ben Salman, em discurso introdutório veiculado no site do cartel.

"A situação mundial está longe de ser homogênea, e a recuperação está longe de ser completa", explicou.

Embora tenha notado "sinais de melhora significativa" do lado da demanda, o ministro lembrou que "o mar continua agitado", enquanto reiterou os méritos da abordagem "cautelosa e moderada" do cartel.

O clube dos 23 produtores deixa de produzir em torno de sete milhões de barris todos os dias e ajusta esse volume mês a mês.

A isso, soma-se um corte de um milhão de barris por parte de Riade, para não inundar o mercado com ouro negro que não poderá ser absorvido, devido aos danos econômicos causados pela pandemia de covid-19.

Sem tal ação, os riscos de saturação das limitadas capacidades de armazenamento e de queda dos preços - em recuperação a cerca de US$ 60 o barril, mas ainda frágeis - são muito reais.

Nos últimos dias, muitos observadores do mercado apostavam em uma manutenção dessa política em maio, ou mesmo em junho.

Nenhuma "surpresa" pode ser descartada, porém, com a Opep+, alertou Stephen Innes, analista da Axi.

O mercado também se questiona sobre o futuro do "presente" saudita - o um milhão de barris cortado voluntariamente desde fevereiro.

Quanto à Rússia e ao Cazaquistão, terão, mais uma vez, o direito de aumentar marginalmente sua produção?

O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, encarregado de Energia, que também falou no preâmbulo da cúpula, fez um discurso mais otimista do que seu colega saudita, saudando os "resultados" das campanhas de vacinação em todo mundo.

"Vemos que a economia continua se recuperando", acrescentou, ao estimar o déficit atual do mercado em dois milhões de barris por dia.

Depois de um início de ano melhor do que o anterior, a eclosão de uma terceira onda de contágios na Europa e um vírus que está se espalhando em alta velocidade nos mercados em crescimento, como a Índia, abalaram, no entanto, o moral da maioria dos produtores e agitaram os mercados nas últimas semanas.

Em seu último relatório, divulgado em meados de março, a Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou estimativas sombrias. Após o choque na saúde, a demanda mundial por petróleo deve levar dois anos para voltar aos níveis anteriores à crise.

O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman (MBS), também conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, antes da reunião, informou o Kremlin, referindo-se, especialmente, às iniciativas dos dois países em termos de desenvolvimento sustentável.

Discussões também ocorreram na quarta-feira entre o lado saudita e a secretária de Energia dos EUA, Jennifer Granholm.

Não sendo membro do acordo, os Estados Unidos continuam sendo os maiores produtores de petróleo do mundo, com 11 milhões de barris produzidos todos os dias.

Perto do meio do dia, os preços do petróleo de referência, Brent e WTI, subiam mais de 2% no início da reunião.

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