"Nas últimas semanas foram denunciados fatos de especial gravidade, contrários à ética militar e à honra dos exércitos, cometidos por certos elementos dos batalhões gabonenses", afirmou o Ministério da Defesa do Gabão, em um comunicado divulgado nesta quarta-feira (15).

"Após os inúmeros casos de denúncias de exploração e de abuso sexual que tramitam, as Nações Unidas decidiram hoje retirar o contingente gabonês da Minusca", a missão da ONU na República Centro-Africana, e "foi aberta uma investigação por parte do Gabão", acrescenta a nota.

A Minusca foi enviada pela ONU em abril de 2014 para tentar pôr fim à sangrenta guerra civil deflagrada após o golpe de Estado contra o presidente François Bozizé.

Os confrontos entre a coalizão de grupos armados que derrubaram Bozizé - Seleka, de maioria muçulmana - e as milícias apoiadas pelo chefe de estado deposto - os antibalakas, dominados por cristãos e animistas - atingiram seu auge entre 2014 e 2015.

Desde então, a intensidade da guerra civil diminuiu de maneira considerável, mas a Minusca ainda mantém cerca de 15.000 soldados neste pobre país africano, incluindo cerca de 14.000 militares, com o objetivo de proteger a população.

As acusações de crimes sexuais contra as forças de paz são recorrentes na República Centro-Africana.

Se os "fatos denunciados (...) forem verdadeiros, seus autores serão levados aos tribunais militares e julgados com extremo rigor", prometeu o Ministério da Defesa do Gabão.

Há anos, no mundo todo, surgem acusações contra membros das forças de manutenção da paz por exploração e abuso sexual.

Desde 2010, a ONU registrou em seu site 822 acusações de exploração e abuso sexual contra seu pessoal durante operações de manutenção da paz.

Por nacionalidade, desde 2015, os capacetes azuis originários dos Camarões são os que teriam cometido mais abusos (44), seguidos dos da África do Sul (37), da República Democrática do Congo (32), do Gabão (31) e do Congo (26), segundo a organização.

Em março de 2018, o Gabão anunciou que estava retirando seu contingente da Minusca, devido a "um retorno progressivo da paz". Um funcionário de alto escalão da ONU disse à época, porém, que a decisão estava relacionada com "problemas de equipamento e abuso sexual".

Três meses depois, no entanto, a pedido urgente do presidente centro-africano, Faustin Archange Touadéra, o chefe de Estado do Gabão, Ali Bongo Ondimba, anunciou que manteria suas tropas na República Centro-Africana.

Em 2016, Libreville já havia anunciado a abertura de investigações, depois que a ONU identificou 15 de seus soldados como suspeitos de terem cometido violência sexual.

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