Em um comunicado, Bachelet cita "incidentes graves ocorridos em novembro do ano passado, como bombardeios indiscriminados nas cidades de Mekele, Humera e Adigrat, na região de Tigré, e graves violações e abusos, incluindo massacres em Aksum e em Dengelat, no centro de Tigré, por parte das Forças Armadas eritreias".

"São graves violações do direito internacional que podem representar crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos por múltiplos atores neste conflito", declarou.

Entre os atores estão as Forças Armadas etíopes e eritreias, a Frente de Libertação Popular de Tigré (TPLF) e várias milícias, segundo o comunicado.

Todo isto, de acordo com Bachelet, destaca a "necessidade de uma investigação objetiva e independente" sobre as informações.

Em novembro, o primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed, prêmio Nobel da Paz em 2019, iniciou uma operação militar em Tigré para derrubar o partido governante na região (TPLF).

Alguns dias depois, ele anunciou a tomada de Mekele, capital regional, e o fim dos combates, sem baixas civis. Mas o anúncio foi prematuro.

Desde então foram revelados mais combates e descobertas mais atrocidades, que frequentemente envolveram soldados eritreus, o que contradiz o discurso oficial de Adis Abeba e Asmara, que negam a presença de eritreus em Tigré.

Na semana passada, a Anistia Internacional revelou que soldados eritreus mataram "centenas de civis".

Eritreia e Etiópia travaram entre 1998 e 2000 uma guerra que provocou dezenas de milhares de mortes. Na ocasião, a TPLF controlava o governo federal em Adis Abeba e até hoje é um grande inimigo do governo eritreu.

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