Os Jogos Olímpicos, adiados no ano passado por conta da pandemia, acontecerão de 23 de julho a 8 de agosto, insistem as autoridades olímpicas, os organizadores de Tóquio-2020 e o governo japonês, apesar da situação de saúde e da oposição da maioria dos japoneses.

"Acho que perdemos a oportunidade de cancelá-los", considerou a ex-judoca e membro do comitê olímpico japonês Kaori Yamaguchi, em artigo publicado pela agência Kyodo.

"Estamos encurralados em uma situação em que não podemos fazer mais nada", considerou a medalhista de bronze nos Jogos de Seul em 1988. "Os Jogos não fazem mais sentido e são mantidos apenas por obrigação", acrescentou.

A ex-atleta critica a atitude do governo japonês, do comitê organizador Tóquio-2020 e do Comitê Olímpico Internacional (COI), que "parecem querer evitar o diálogo".

"Os Jogos não deveriam ser um festival de paz?", questionou.

"O oposto da paz é continuar em uma posição dura e teimosa que consiste em dizer 'as pessoas podem ser contra, mas mudarão de ideia quando os Jogos começarem'", insistiu Yamaguchi.

De acordo com várias pesquisas, a população japonesa é, em sua maioria, contra a realização dos Jogos, porque teme uma piora da situação da saúde.

Atualmente, 10 das 47 regiões do arquipélago encontram-se em estado de emergência.

O vice-presidente do COI, John Coates, declarou no mês passado que os Jogos aconteceriam mesmo se um estado de emergência prevalecesse em Tóquio.

- Patrocinadores com dúvidas -

"O COI deve pensar que a opinião pública no Japão não é importante", acrescentou Yamaguchi.

A campanha de vacinação no Japão, iniciada em fevereiro, tem sido amplamente criticada por sua lentidão. Embora tenha acelerado nos últimos dias, apenas 3% da população recebeu a segunda dose.

O principal assessor médico do governo japonês, Shigeru Omi, declarou nesta sexta-feira que o país deve evitar a organização dos Jogos se o estado de emergência se estender além de 20 de junho.

"Devemos absolutamente evitar sediar os Jogos Olímpicos em estado de emergência", declarou ele, pedindo ao governo que aperte as restrições para que o estado de emergência termine o mais rápido possível.

Nesta sexta, o jornal Financial Times afirmou que "grandes patrocinadores japoneses" exigiram em privado um novo adiamento dos Jogos por vários meses para que os espectadores possam assistir.

Os torcedores estrangeiros estão proibidos de viajar ao Japão para participar do evento olímpico e a organização deve decidir este mês se permite o público local e qual capacidade.

A presidente de Tóquio-2020, Seiko Hashimoto, não respondeu a uma pergunta sobre as informações do Financial Times em uma entrevista coletiva nesta sexta-feira.

A organização do evento olímpico exclui um novo adiamento do evento, que deveria ter sido realizado em 2020.

O Japão controlou a pandemia com relativo sucesso, em comparação com muitos outros países, com 13.000 mortes oficiais desde o início de 2020.

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