No total, a América Latina e o Caribe registram mais de 783.000 mortes por covid-19 e quase 25 milhões de infecções. Em todo o mundo, a pandemia já matou mais de 2,8 milhões de pessoas e infectou 129 milhões, de acordo com um balanço da AFP com base em números oficiais.

Na quinta-feira, o Chile anunciou que fechará suas fronteiras a partir de segunda-feira e durante todo o mês de abril devido ao número recorde de novas infecções.

"Precisamos urgentemente de um esforço adicional, porque estamos em um momento muito crítico", disse o porta-voz do governo, Jaime Bellolio.

Esta decisão coincide com o maior número diário de infecções desde o início da pandemia no Chile: 7.830. Aos quais se somam 193 falecidos. No total, o país, onde as variantes brasileira e britânica circulam, ultrapassou um milhão de casos e 23 mil mortes.

No Equador, foi declarado estado de exceção por 30 dias em várias províncias, que concentram 70% da população, devido ao aumento das infecções.

Esses recordes se devem, em parte, às novas variantes do vírus, que afetam setores da população até então mais preservados e agravam os sintomas de alguns pacientes, sendo mais virulentas, segundo o governo.

O segundo turno das eleições presidenciais em 11 de abril está mantido, com o aumento das medidas de segurança sanitária.

- Recorde mortal no Uruguai -

O Uruguai, até recentemente considerado um exemplo na gestão da covid-19, registrou 35 mortes na quinta-feira, um recorde diário. O país já ultrapassou 1.000 óbitos e as infecções continuam aumentando.

No Peru, 12.916 novos casos confirmados de covid-19 foram registrados na quinta, o maior número diário em 13 meses de pandemia. No total, neste país de 33 milhões de habitantes, mais de 1,5 milhão de infecções foram registradas desde março de 2020 e mais de 52.000 mortes.

O Peru também decidiu prorrogar a suspensão de voos do Brasil, Reino Unido e África do Sul até pelo menos 15 de abril.

Em muitos países da região há casos da variante brasileira do coronavírus, chamada P1.

"Observamos que a variante P1 parece ser mais transmissível", declarou esta semana Sylvain Aldighieri, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que indicou que essa variante está circulando na Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia, Paraguai, Panamá, Venezuela, Guiana Francesa, México, Estados Unidos, Canadá e no Caribe francês e holandês.

O Brasil experimentou o pior mês da pandemia em março, com mais de 66.000 mortes e é o segundo país com mais mortes, com um total de 321.000.

- Mais vacinas -

Diante da situação alarmante de seu vizinho, a Bolívia ordenou o fechamento preventivo de sua fronteira com o Brasil, que se estende por 3.400 km, a partir desta sexta por uma semana.

A imprensa local noticiou um aumento das infecções nas áreas de fronteira, informação não confirmada pelo governo.

No Chile, Argentina, Uruguai e outros países da região avança a vacinação, grande esperança para conter as infecções.

No Uruguai, quase 20% da população já foi inoculada com a primeira ou segunda dose da CoronaVac ou Pfizer. Na Argentina, um milhão de doses da vacina Sinopharm, fabricada na China, foram recebidas na quinta-feira.

O governo pretende acelerar a campanha para chegar ao final de abril com a população de maior risco e mais exposta já vacinada.

No Chile, com 19 milhões de habitantes, mais de seis milhões de pessoas já foram vacinadas com pelo menos uma dose, segundo dados oficiais.

No Brasil, cerca de 8% dos 212 milhões de cidadãos receberam a primeira dose da vacina e 2,3% estão totalmente imunizados.

Analistas atribuem essa lentidão à demora do governo do presidente Jair Bolsonaro, que por meses minimizou a gravidade da doença, em fechar acordos com as farmacêuticas.

Nesta sexta-feira, o laboratório chinês Sinovac anunciou que dobrou a capacidade de produção de sua vacina CoronaVac, para 2 bilhões de doses por ano. O imunizante já é aplicado em 20 países, entre eles Brasil, México e Uruguai.

- "Morrem na nossa frente" -

A diretora da OPAS, Carissa Etienne, observou esta semana que não há vacinas suficientes na região para impedir os surtos ativos e defendeu a prevenção.

"Quando as vacinas chegarem, faremos nosso trabalho para que sejam distribuídas o mais rápida e equitativamente possível, mas agora não temos vacinas suficientes para impedir os surtos ativos", declarou.

Na Europa, a campanha de vacinação também está longe das metas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) criticou na quinta a lentidão "inaceitável" em um momento em que a situação no continente é preocupante.

Apenas 10% da população europeia recebeu uma dose da vacina anticovid e 4% as duas, segundo a OMS.

A situação também é preocupante em lugares já atingidos pela guerra e pela pobreza. É o caso da Síria, onde o coronavírus satura as unidades de terapia intensiva de Damasco.

"Há muitos casos que precisam de respiradores", confirma a Dra. Asmaa Sbayni. "Tem casos em que você não pode fazer nada (...) Eles morrem na nossa frente."

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