Todos os membros das delegações que forem este ano presencialmente a Nova York, após uma interrupção pela pandemia, deverão estar vacinados para ter acesso à sala de debates, informou a prefeitura ao presidente da Assembleia em carta datada de 9 de setembro.

"Todas as pessoas que entrarem nos locais da ONU a fim de ingressar na Assembleia Geral precisarão mostrar um certificado de vacinação", destacou a carta, assinada pelo encarregado da área da Saúde da cidade de Nova York.

As autoridades locais consideram que a sala de debates da ONU é qualificada como um "centro de convenções", o que significa que todos os presentes devem estar vacinados.

No entanto, a carta não detalha quais vacinas as pessoas autorizadas a entrar nas Nações Unidas devem ter recebido, já que nem todas são reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os membros das delegações terão que mostrar seu certificado de vacinação "antes de comer, beber ou fazer exercícios no interior do campus da ONU, e para poder participar de todas as atividades maravilhosas de entretenimento, gastronomia e fitness da cidade de Nova York".

As autoridades americanas exigem um exame negativo de covid para entrar no país, mas não o certificado de vacinação.

Desde a segunda-feira o comprovante de vacinação é obrigatório em Nova York para realizar muitas atividades em ambientes fechados, incluindo restaurantes ou locais de lazer, embora muitos locais já o exigissem desde agosto.

As autoridades locais também lembraram aos diplomatas que o estado de Nova York exige que todos usem máscaras no transporte público, "independentemente do status de vacinação".

- Bolsonaro, "último brasileiro a se vacinar" -

A Rússia reagiu com irritação ao anúncio da exigência através de seu embaixador, Vasily Nebenzya, que solicitou uma reunião urgente da Assembleia Geral nesta quinta-feira (16) para discutir a medida.

Nebenzya escreveu hoje ao presidente da assembleia, o maldivo Abdulla Shahid, dizendo que tinha ficado "surpreso e decepcionado" com a carta que o titular do órgão escreveu a seus integrantes, na qual que apoiava a exigência do comprovante de vacinação.

"Nos opomos veementemente que somente pessoas com comprovante de vacinação possam ser admitidas no salão" da Assembleia Geral, o que representa "uma clara violação da Carta" das Nações Unidas, diz a carta de Nebenzia à qual a AFP teve acesso.

Segundo a lista provisória, 74 chefes de Estado, 33 presidentes de governo e 2 vice-primeiros-ministros, assim como 22 chanceleres confirmaram sua presença na edição deste ano.

Entre os participantes confirmados presencialmente estão o presidente do governo espanhol Pedro Sánchez, o costa-riquenho Carlos Alvarado, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

O brasileiro Jair Bolsonaro tinha confirmado presença, mas não está vacinado. Ele reiterou várias vezes que será "o último brasileiro" a se vacinar.

A 76ª sessão da Assembleia Geral começa na próxima terça-feira (21) e será concluída na segunda, dia 27.

Antes da abertura da Assembleia Geral, na segunda-feira (20), será celebrada uma cúpula sobre o clima a portas fechadas, organizada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, por ocasião da próxima COP26, que será celebrada em novembro em Glasgow, Escócia.

Segundo um diplomata da ONU, uma reunião a portas fechadas permitirá um intercâmbio "franco" entre os participantes ao invés de "declarações" de intenções "preparadas com antecedência".

A lista exata de participantes ainda é desconhecida, embora deva incluir dirigentes dos países do G20 e os de países insulares, ameaçados pelas mudanças climáticas.

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