O anúncio foi feito após uma videoconferência com representantes dos países signatários do acordo de 2015, entre eles China, França, Alemanha, Rússia e Reino Unido, que buscam fazer com que os Estados Unidos voltem a aderir ao pacto, do qual saiu por iniciativa do ex-presidente Donald Trump.

Os responsáveis se reunirão pessoalmente na capital austríaca para "identificar claramente as medidas para levantar as sanções e a aplicação do acordo nuclear", disse em comunicado o gabinete do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

Por sua vez, os Estados Unidos confirmaram presença na reunião. "Ainda é cedo e não prevemos progresso imediato, pois há complicadas discussões pela frente. Mas, acreditamos que este é um passo saudável à frente", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, disse que a reunião ocorrerá na terça-feira e insistiu que o objetivo é "concluir rapidamente o levantamento das sanções e medidas nucleares para uma eliminação coordenada de todas as sanções, seguida pelo término das medidas compensatórias pelo Irã".

"Não [haverá] encontro Irã-EUA. Desnecessário", escreveu no Twitter.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que seu país está disposto a voltar a aderir ao acordo, do qual retirou-se em 2018, com a condição de que Teerã primeiro volte a cumprir seus compromissos sob o acordo.

Enquanto isso, o Irã declarou sua disposição de respeitar integralmente o acordo, desde que Washington levante as sanções impostas por Trump.

- "Trabalho substancioso" -

"A reunião de hoje foi positiva. Voltaremos a nos reunir em Viena na próxima semana. Esperamos um trabalho substancioso para revitalizar" o pacto, declarou no Twitter o secretário-geral adjunto do Serviço Europeu de Ação Externa, Enrique Mora, que presidiu a reunião desta sexta-feira.

Assinado em 2015 em Viena por Irã e o grupo 5+1 (França, Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, China e Alemanha), o acordo pretendia inicialmente enquadrar o programa nuclear da República Islâmica em troca da flexibilização das sanções internacionais.

Apesar de suas negativas, Teerã é acusado de buscar se equipar de armas atômicas, especialmente por Israel, seu inimigo jurado.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, disse que "é bom que todos os atores relevantes se reúnam em Viena na próxima semana".

"Não temos tempo a perder. Que o tratado volte a ser totalmente respeitado seria uma vantagem para a segurança da região", acrescentou.

Por sua vez, o diplomata russo Mikhail Ulyanov disse que "a impressão é que estamos no caminho certo, mas o caminho a seguir não será fácil e exigirá esforços intensos. Os interessados parecem estar prontos para isso".

"Para um eventual retorno dos Estados Unidos ao acordo, parece que Washington precisará cumprir integralmente o acordo nuclear", apontou Ulyanov no Twitter.

Na quinta-feira, Ned Price disse que Washington estava "pronto para voltar a cumprir [seus] compromissos sob o JCPOA se o Irã também fizer o mesmo".

Washington falou com seus parceiros "sobre a melhor maneira de conseguir isso, incluindo uma série de passos mútuos iniciais".

"Temos procurado opções para isso, incluindo conversas indiretas por meio de nossos parceiros europeus", disse Price.

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