Em um livro branco sobre o futuro energético de um país que deve sua riqueza ao petróleo, o governo norueguês disse nesta sexta-feira (11) que deseja "ampliar a prática atual com ciclos regulares de concessão (...) para dar à indústria o acesso a novas áreas de exploração".

Esta postura se opõe à da Agência Internacional de Energia (AIE), que recentemente pediu ao mundo para se esquecer "já" de qualquer novo projeto de exploração, com o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 °C, conforme estabelecido pelo Acordo de Paris.

"Forneceremos energia ao mundo enquanto houver demanda", disse a ministra de Petróleo e Energia, Tina Bru, em coletiva de imprensa.

"Portanto, o governo manterá uma política petroleira que facilite a produção lucrativa de petróleo e gás em meio à política climática norueguesa e aos nossos objetivos climáticos", explicou.

A Noruega quer ser um país modelo em seus esforços de combate ao desmatamento nas regiões tropicais e na promoção de carros elétricos em suas estradas.

Seu objetivo é reduzir as emissões de gases de efeito estufa entre 50% e 55% para 2030, e ser neutra em carbono para 2050.

Mas também é frequentemente criticada pelas emissões de CO2 liberadas no exterior pelo petróleo que exporta.

Embora fale regularmente de "transição verde", a Noruega continua muito dependente dos hidrocarbonetos para suas finanças públicas, sua balança comercial (42% de suas exportações de bens), o emprego (mais de 200.000 empregos diretos e indiretos) e o planejamento territorial.

Graças ao petróleo, este país de menos de 5,4 milhões de habitantes tem o maior fundo soberano do mundo, avaliado em cerca de 1,12 trilhão de euros (1,36 trilhão de dólares).

Nesta semana, Oslo voltou a lançar um novo concurso direcionado à indústria do petróleo para explorar novas áreas marítimas, indo contra as recomendações da AIE.

"A rápida queda da demanda significa que não é necessário realizar explorações e que não é necessário ter novos campos de petróleo e gás além dos já aprovados", disse a agência, que assessora os países desenvolvidos sobre suas políticas energéticas.

- "Complacente" -

A vizinha Dinamarca decretou o fim da produção de petróleo no Mar do Norte para 2050.

"Os países que dizem isso de qualquer forma" terminaram de explorar seus principais recursos, respondeu nesta sexta-feira a primeira-ministra norueguesa Erna Solberg. "Então não custa nada, nem um só emprego".

Em sua defesa, a indústria norueguesa argumenta que seu petróleo é "um dos mais limpos", mas só na fase de produção.

A conexão de um número cada vez maior de plataformas marinhas à rede elétrica terrestre significa que as tradicionais tochas de gás dessas instalações não são mais necessárias.

No entanto, há muitas vozes críticas.

"O governo e a indústria da Noruega não podem ignorar a ciência", afirma Sandrine Dixson-Decleve, presidente do Clube de Roma, um 'think tank' internacional.

"Esperamos que a Noruega lidere e seja ambiciosa na transição energética, e não que seja complacente e volte atrás", explicou em um comunicado.

Em 2018, a Noruega foi o 14º produtor mundial de petróleo e o 8º de gás natural, segundo os últimos dados disponíveis da agência de informação energética dos Estados Unidos.

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