Este foi o quarto ataque a estabelecimentos de ensino em menos de três meses nesta região nigeriana, onde grupos criminosos atuam no roubo em grande escala de gado e em sequestros em troca de resgate.

Funcionários do governo de Zamfara estão em contato com os sequestradores desde o crime para negociar a libertação das reféns, estudantes que vivem em regime de internato numa escola em Jangeb.

"As conversas estão acontecendo com os bandidos que estão mantendo em cárcere as meninas e esperamos um resultado rápido", disse à AFP uma autoridade local envolvida nas negociações, que pediu anonimato.

"É uma situação delicada, que exige muito tato e paciência, já que está em jogo a vida de centenas de meninas", acrescentou.

"As negociações estão progredindo. Assim que os obstáculos forem superados, as meninas serão liberadas", afirmou outra fonte.

As autoridades de Zamfara estão acostumadas a discutir com esses grupos criminosos, com os quais há mais de um ano negociam acordos de anistia em troca de depor as armas.

Especificamente, funcionários do estado de Zamfara negociaram em dezembro a libertação de 344 crianças sequestradas em um colégio interno no estado vizinho de Katsina.

Em cada uma dessas libertações, as autoridades negam ter pago qualquer resgate aos sequestradores, mas os especialistas em segurança duvidam que seja esse o caso e temem que isso leve a um aumento dos sequestros nessas regiões mergulhadas em extrema pobreza e pouco ou nada seguras.

O presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, disse na sexta-feira à noite que não vai "ceder à chantagem" de "bandidos" que estão esperando "que grandes resgates sejam pagos".

Este novo sequestro em massa reviveu as memórias do sequestro de Chibok em 2014, no qual o grupo jihadista Boko Haram levou 276 estudantes adolescentes do ensino médio, causando uma comoção global.

Mais de cem ainda estão desaparecidas e ninguém sabe quantas ainda estão vivas.

No entanto, deve ser feita uma distinção entre dois tipos de sequestro: os "bandidos" agem com fins lucrativos e não por motivos ideológicos como os jihadistas, embora alguns dos primeiros tenham estabelecido ligações com grupos radicais islâmicos no nordeste da Nigéria.

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