A altura estabelecida para a maior montanha do mundo, que fica entre os dois países, foi revelada em uma entrevista coletiva conjunta nesta terça-feira em Katmandu: 8.848,86 metros.

O Everest ganha assim 86 centímetros em relação à medida previamente reconhecida pelo Nepal e mais de quatro metros na comparação com a altura divulgada anteriormente pela China.

A diferença era motivada pelo fato de que a China media a base rochosa do topo e não sua camada de neve, que agora é levada em consideração.

O Nepal decidiu realizar seu primeiro estudo por conta própria após receber informações que sugeriam que os movimentos das placas tectônicas, incluindo um forte terremoto em 2015, poderiam ter alterado sua altura.

Cerca de 300 especialistas nepaleses participaram do estudo, alguns a pé e outros em helicópteros, para chegar às estações de reunião de dados.

Na primavera passada, especialistas e escaladores nepaleses, com mais de 40 kg de equipamentos incluindo um receptor de navegação por satélite, realizaram duas horas de medições no topo.

"A ascensão do Everest por si só já é uma tarefa exigente, mas também tivemos que medir", disse à AFP Khim Lal Gautam, diretor do serviço de topografia, que inclusive perdeu um dedo do pé devido a um congelamento.

No verão, uma expedição chinesa subiu beneficiando-se das condições climáticas mais amenas e da calmaria que prevalecia nas alturas do Everest, cujos acessos foram fechados aos escaladores devido à pandemia de covid-19.

Segundo o especialista do Escritório Nacional de Estudos e Cartografia Dang Yamin, entrevistado pelo canal de televisão estatal chinês CCTV, a altitude acordada é um valor médio entre os dados do Nepal e os da China, conforme os métodos científicos.

A altitude do Everest foi calculada pela primeira vez em 1856, a 8.840 metros, por geógrafos do império britânico, que recorreram à trigonometria das planícies indianas a centenas de quilômetros do topo.

Depois que Edmund Hillary e seu sherpa Tenzing Norgay alcançaram o topo do Everest em 29 de maio de 1953, um estudo indiano reajustou a altitude para 8.848 metros. Essa medida foi amplamente aceita.

Em 1999, a National Geographic Society dos Estados Unidos chegou à conclusão de que a montanha chegava aos 8.850 metros, o que o Nepal nunca reconheceu oficialmente.

Enquanto isso, a China realizou seus próprios estudos e, em 2005, anunciou a medida de 8.844,43 metros, provocando uma disputa com o Nepal.

Essa disputa não se resolveu até 2010, quando Katmandu e Pequim admitiram que a variação entre suas respectivas medidas deve-se ao fato de que um considerava a neve acumulada no topo e o outro não.

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