O Ministério de Assuntos Islâmicos ordenou na semana passada que as mesquitas ajustassem os alto-falantes para um terço do volume máximo e limitassem seu uso à chamada à oração, evitando transmitir os sermões inteiros.

A medida gerou protestos em círculos religiosos e conservadores em um país que pratica o Islã fundamentalista.

O ministro dos Assuntos Islâmicos, Abdullatif al-Sheikh, justificou esta decisão invocando a saúde e o bem-estar das crianças e dos idosos.

"Aqueles que querem orar não precisam esperar pelo chamado do imã para orar", afirmou o ministro em um vídeo transmitido pela televisão pública. "Eles já deveriam estar na mesquita mais cedo", acrescentou.

As televisões já transmitem orações e sermões sobre o Alcorão, lembrou o ministro, sugerindo que as mesquitas não precisam insistir nisso.

Em um país que abriga dezenas de milhares de mesquitas, a decisão foi bem recebida, mas provocou reações nas redes sociais.

O ministro avaliou que as críticas vêm de "inimigos do reino" que desejam "incitar a opinião pública".

A medida está em linha com a política de liberalização promovida pelo príncipe herdeiro e governante de fato do reino, Mohamed bin Salman.

O príncipe herdeiro ordenou o levantamento de várias proibições ou restrições, como a que proibia as mulheres de dirigir, e autorizou shows com público masculino e feminino ao mesmo tempo, o que antes era estritamente proibido.

Essa flexibilização foi bem recebida por muitos sauditas em um país onde dois terços da população tem menos de 30 anos.

O reino também limitou o poder da polícia religiosa.

O príncipe herdeiro prometeu uma Arábia Saudita "moderada" em sua tentativa de romper com sua imagem austera, mas ao mesmo tempo reprime os dissidentes.

Nos últimos três anos, o país prendeu dezenas de mulheres ativistas, clérigos, jornalistas e membros da família real.

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