Com 12 mil participantes e ingressos esgotados, a Bitcoin2021 expõe desde sexta-feira serviços de mineração - mecanismo de geração de criptomoedas - e redes de câmbio, e reúne financiadores para o desenvolvimento de moedas virtuais e especialistas em cripto-impostos, entre outros.

Um dos palestrantes da conferência de dois dias foi Jack Dorsey, cofundador e CEO do Twitter e do sistema de pagamento online Square, que observou que "não há nada que torne as coisas mais fáceis para as pessoas ao redor do mundo" do que o bitcoin, pela liberdade de movimento que oferece.

"Não precisamos mais das instituições financeiras que temos hoje", disse Dorsey. "Temos algo que é próspero, sólido, de propriedade da comunidade e liderado pela comunidade", disse ele, referindo-se ao mecanismo que sustenta as criptomoedas, que não são emitidas pelos bancos centrais.

Além de Dorsey, participam do evento os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, cofundadores do Facebook e referências em criptomoedas.

"Acreditamos que o bitcoin é o ouro 2.0", lançou Tyler Winklevoss. "É muito mais do que ouro. Quando chegarmos a Marte, qual será a moeda? O dólar? Não. Bitcoin", arriscou.

Os gêmeos fundaram o aplicativo Gemini em 2014, onde os usuários gerenciam seu portfólio de bitcoins e outras criptomoedas.

David Abner, chefe global de desenvolvimento de negócios da Gemini, disse à AFP que a moeda virtual "vai revolucionar o mercado de remessas", que é crucial na economia de muitos países do terceiro mundo.

Por exemplo, "você poderá transferir dinheiro dos Estados Unidos para a América Latina sem alterar drasticamente seu valor ou pagar taxas caras para isso".

"É um processo muito mais fluido e transparente. E mais rápido", acrescentou.

Nessa mesma linha, a senadora republicana Cynthia Lummis promoveu o uso do bitcoin como uma "commodity" segura em tempos instáveis.

"Se você está na Venezuela, onde a inflação é escandalosa e quer tirar sua riqueza do país, pode fazer isso por meio do bitcoin", exemplificou.

A conferência foi inaugurada pelo prefeito Francis Suárez, que se tornou uma celebridade entre os 'techies' por sua intensa campanha para transformar Miami em um Vale do Silício tropical.

"Temos a maior conferência de bitcoin do mundo. Sinto muito, mas não sinto tanto, Los Angeles!", brincou Suarez ao abrir o evento que costumava ocorrer na cidade californiana.

Na quarta-feira, Suárez anunciou o lançamento de uma criptomoeda de Miami ($MIA), por meio de uma startup chamada CityCoin, que planeja 'cunhar' sua segunda moeda virtual em São Francisco.

"Este não é um momento. Este é um movimento", disse o prefeito ao abrir a Bitcoin2021 na sexta-feira.

Miami anunciou em fevereiro que iria explorar as transações de criptomoedas, incluindo o pagamento de impostos e salários de funcionários.

A ausência de impostos estaduais, a liberdade de movimento em face da pandemia, o multiculturalismo da cidade e sua proximidade com a América Latina e a Europa atraíram "techies" do Vale do Silício e de Nova York desde o final do ano passado.

Mas existem vozes de alarme. O jornal local The Miami Herald alertou em editorial sobre os riscos potenciais desse fenômeno.

"Não nos interpretem mal. Esperamos que a criptomoeda (...) eleve a cidade a uma nova prosperidade", escrevem os editores. "Mas não nos culpem por sermos cautelosos", continuam.

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