Depois de várias negociações, o grupo rebelde formado por apoiadores do ex-presidente Donald Trump cedeu e permitiu a nomeação deste californiano de 57 anos por maioria simples.

O acordo dentro do Partido Republicano acabou com uma estagnação sem precedentes em mais de 160 anos, mas que deverá resultar em debates agitados e tensões no Congresso americano nos próximos dois anos.

"É hora de governar com responsabilidade e garantir que vamos colocar os interesses das famílias americanas em primeiro lugar", disse o presidente Joe Biden após a eleição, afirmando estar "preparado para trabalhar com os republicanos".

Antes de ceder, os rebeldes do Partido Republicano contribuíram com algumas últimas notas de suspense, frustrando pela 14ª vez as aspirações de McCarthy, que pensava ter colhido votos suficientes para ser eleito.

McCarthy abordou o grupo de rebeldes trumpistas e trocou sinais acusatórios com os dedos, enquanto a secretária do Congresso pedia calma.

"O processo de eleição do presidente da Câmara dos Representantes, por mais louco que pareça, tornou tudo maior e mais importante do que se fosse feito da forma tradicional", disse em sua rede social, a Truth Social, o ex-presidente Trump, que aspira voltar à Casa Branca nas eleições de 2024.

Neste sábado, McCarthy confirmou em uma coletiva de imprensa que Trump foi fundamental para "obter os últimos votos" necessários para sua eleição.

- Mandato difícil -

Ao longo da semana, esse núcleo de representantes conservadores aproveitou a estreita maioria republicana na Câmara conquistada nas eleições de meio de mandato de novembro para bloquear a nomeação.

Não diminuíram a pressão até obter garantias significativas, entre elas a aplicação de um procedimento para facilitar a destituição do presidente da Câmara.

Finalmente eleito, McCarthy substitui a democrata Nancy Pelosi no cargo de "speaker", embora saia enfraquecido deste processo que provavelmente implicará um mandato muito difícil.

"Temos que colocar os Estados Unidos de volta aos trilhos", disse McCarthy antes de fazer o juramento.

O bloqueio orquestrado por este grupo de apoiadores de Trump é "humilhante", na opinião do cientista político Larry Sabato.

"Será interessante ver se (McCarthy) consegue angariar apoio para o pacote de regras e outros acordos que fez com os dissidentes que o mantiveram como refém durante toda a semana", escreveu David Axelrod, estrategista do ex-presidente Barack Obama (2009-2017).

O impasse legislativo de 2023 precisou do maior número de rodadas de votação que qualquer outra eleição do presidente da Câmara Baixa desde a Guerra de Secessão, na década de 1860.

- "Hora de exercer controle" -

Na agenda dos próximos meses estão negociações para elevar o limite da dívida pública americana, o financiamento do Estado federal e, provavelmente, a liberação de ajuda adicional para a Ucrânia.

No poder da Câmara Baixa, os republicanos prometem lançar uma série de investigações sobre a gestão da pandemia por Biden e a retirada das tropas americanas do Afeganistão.

"É hora de exercer controle sobre a política do presidente", enfatizou McCarthy no plenário.

Sem o controle das duas casas, ao contrário do que aconteceu após sua posse em 2021, Biden não pode almejar grandes aprovações de leis. Mas com o Senado nas mãos dos democratas, os republicanos também não.

Enfrentar uma Câmara hostil, mas desordenada, poderia ser uma bênção política para Biden, se o democrata confirmar sua intenção de concorrer novamente à presidência em 2024, uma decisão que deve ser anunciada no início deste ano.

- Caos na Câmara -

Ao longo desse processo de nomeação do presidente da Câmara, o partido de Biden denunciou o domínio dos trumpistas --muitos dos quais ainda se recusam a admitir a derrota nas eleições de 2020-- sobre o Partido Republicano, dois anos após o ataque ao Capitólio que terminou com cinco mortos.

"O caos na Câmara dos Representantes é apenas mais um exemplo de como uma facção extremista pode nos impedir de governar", disse o líder democrata no Senado, Chuck Schumer.

Mas sem maioria na Câmara desde as eleições de novembro, os democratas também não tiveram apoio para que seu candidato a "speaker", Hakeem Jeffries, vencesse a eleição.

O processo parecia interminável, com maratonas de negociações nos corredores do Capitólio e uma horda de jornalistas captando cada declaração dos representantes rebeldes.

Sem o "speaker", terceiro posto mais importante dos Estados Unidos depois do presidente e do vice-presidente, os representantes eleitos não poderiam prestar juramento e, consequentemente, votar em projetos de lei.

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