Os navios atracaram em Bhasan Char por volta das 14h locais (5h, horário de Brasília), disse à AFP Shamsud Douza, oficial responsável pelos refugiados de Bangladesh que acompanhava os rohingya.

A segurança foi reforçada hoje nesta ilha da Baía de Bengala, onde se instalou uma delegacia de polícia, e cerca de 300 policiais foram mobilizados, incluindo mulheres, relatou o oficial de polícia Golam Faruq à AFP nesta sexta.

Bangladesh investiu cerca de US$ 400 milhões na construção de instalações para abrigar os refugiados e um muro de três metros de altura ao redor dessa infraestrutura.

De acordo com as autoridades, os rohingyas terão quartos e as instalações básicas necessárias para o dia a dia.

Ontem, as autoridades locais disseram à AFP que cerca de 2.500 refugiados rohingya seriam estabelecidos na ilha durante a primeira fase de transferência.

O projeto do governo é estabelecer pelo menos 100 mil refugiados rohingya na ilha, a qual é com frequência atingida por ciclones e inundações.

O escritório das Nações Unidas em Bangladesh emitiu um breve comunicado, assegurando que "não participa" desse processo de realocação, sobre o qual tem "pouca informação".

Cerca de 750.000 refugiados muçulmanos rohingya, uma minoria perseguida em Mianmar, fugiram em 2017 da limpeza étnica no oeste de seu país realizada pelo Exército e por milícias budistas.

Os que chegaram se somaram aos mais de 200.000 rohingyas que já estavam refugiados em Bangladesh, devido a ondas anteriores de violência.

Esse fluxo em massa levou à criação de acampamentos em condições de extrema pobreza, um quadro agravado pela pandemia do coronavírus, e onde se desenvolveu o tráfico de drogas.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) estima que 860.000 rohingyas vivam em Bangladesh em acampamentos próximos à fronteira com Mianmar. Outros 150.000 encontraram abrigo em outros países da região. Cerca de 600.000 ainda vivem em seu país de origem.

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