Encerra-se, assim, a mais longa greve de sua história.

Durante 91 dias, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Carvão (Sintracarbón) paralisou a extração, rejeitando um plano de demissões e citando um endurecimento nas condições de trabalho.

O complexo de mineração, pertencente às multinacionais BHP Group, Anglo American e Glencore, pretendia incorporar mudanças na jornada de trabalho. Para o sindicato, a alteração criaria um "turno de morte", que potencialmente afetaria a saúde dos mineiros.

Cerrejón afirmou que a nova mudança era necessária para mitigar a baixa demanda associada à pandemia e ao colapso dos preços do carvão.

Após longas negociações, "as comissões negociadoras Cerrejón e Sintracarbón assinaram (...) o novo Acordo Coletivo de Trabalho, em vigor entre 1º de julho de 2020 e 31 de dezembro de 2023", informou a empresa.

A retomada das operações será "gradual, progressiva", disse à AFP a assessoria de imprensa da companhia.

Sintracarbón destacou, por sua vez, que conseguiu preservar "benefícios históricos" e salvar 200 empregos. As partes não deram mais detalhes sobre acordo.

Durante a greve, os trabalhadores uniram forças com lideranças sociais e indígenas do departamento de La Guajira, sede das operações da Cerrejón, que denunciaram problemas de saúde ligados à contaminação da mina.

As Nações Unidas aderiram às denúncias ambientais, que também foram reconhecidas pelo Tribunal Constitucional da Colômbia.

Segundo dados da empresa, a Cerrejón emprega diretamente 5.896 trabalhadores e contribui com 25% dos royalties do setor de mineração do país, que totalizaram 1,7 trilhão de pesos (cerca de 473 milhões de dólares) acrescidos de impostos em 2019.

A operação inclui uma linha ferroviária e um porto marítimo no Mar do Caribe.

Castigada pela pobreza e pela fome, 65% da população de La Guajira tem necessidades básicas insatisfeitas, apesar de o setor de mineração e energia ser o principal motor das exportações colombianas.

Em agosto de 2020, o país exportou o equivalente a US$ 271 milhões em carvão contra US$ 193 milhões em café, principal produto colombiano, segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estatística.

De acordo com a Federação Nacional dos Produtores de Carvão, a Colômbia é o principal produtor desse mineral na América Latina.

dl/vel/mr/tt

ANGLO AMERICAN

Glencore

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