O reconhecimento que o chefe de Estado anunciou aos netos de Ali Boumendjel, ao recebê-los nesta terça-feira, faz parte dos gestos de apaziguamento recomendados pelo historiador Benjamin Stora em seu relatório sobre a colonização e a guerra na Argélia, para tentar reduzir as tensões em torno da memória deste conflito sangrento que continua a minar as relações entre os dois países.

"Em meio à batalha de Argel, Boumendjel foi detido pelo exército francês, levado para um lugar secreto, torturado e assassinado em 23 de março de 1957", admitiu o Eliseu em um comunicado.

Em 2000, "Paul Aussaresses (ex-chefe dos serviços secretos em Argel) confessou que ele próprio ordenou a um de seus subordinados que o matasse e inventasse o crime de suicídio".

"Hoje, o Presidente da República recebeu quatro netos de Ali Boumendjel no Palácio do Eliseu para lhes contar, em nome da França, o que Malika Boumendjel gostaria de ouvir: Ali Boumendjel não cometeu suicídio. Ele foi torturado e assassinado", acrescentou a presidência francesa.

Esse gesto "não é um gesto isolado", promete o presidente no comunicado. "Nenhum crime, nenhuma atrocidade perpetrada durante a guerra da Argélia pode ser desculpada ou escondida."

"Este trabalho será prolongado e aprofundado nos próximos meses, para que possamos avançar no sentido da apaziguamento e da reconciliação", conclui o comunicado, que preconiza "olhar para a história de frente, reconhecer a verdade dos fatos" para "reconciliar recordações."

No mês passado, a sobrinha de Ali Boumendjel, Fadela Boumendjel-Chitour, denunciou que a "mentira do Estado francês" foi "devastadora".

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