O presidente francês, cuja popularidade está em ascensão segundo as pesquisas, ainda não oficializou sua candidatura a um segundo mandato e sua comitiva nega que ele já esteja em campanha, mas seu "tour de France" é visto pela oposição como uma pré-campanha.

Seu giro começará nesta quarta na região da Occitânia, no sudoeste, e o levará a pelo menos uma dezena de localidades entre junho e julho.

O objetivo, como ele mesmo definiu ao anunciar esta volta pelo país no final de abril, é "tomar o pulso" da França pós-covid e "entrar em contato com o povo", exercício que o presidente está ansioso por fazer após 14 meses de restrições devido à pandemia.

O chefe de Estado, que vai passar dois dias na Occitânia, pretende falar sobre as dificuldades do setor do turismo, muito afetado pela pandemia, mas também ouvir as queixas dos franceses, menos de um ano antes da eleição.

Macron gosta dessas viagens e debates com os cidadãos, exercício que já realizou em 2018, bem como por ocasião do "grande debate" nacional de 2019 que se seguiu à crise dos coletes amarelos, o movimento social que abalou seu quinquênio.

Ao final de seu grio, na primeira quinzena de julho, Macron poderá falar sobre o rumo que pretende definir para os últimos dez meses de sua presidência.

Entre as questões que ainda precisam ser decididas está a implementação de projetos de longo prazo, como a polêmica reforma das aposentadorias e do seguro-desemprego, deixadas de lado devido à covid-19.

A reforma previdenciária, que visa estabelecer um novo sistema de cálculo, por pontos, provocou dois meses de greves nos serviços públicos e massivas manifestações no final de 2019 e início de 2020.

Mas isso foi antes de estourar a crise do coronavírus, que deixou mais de 110.000 mortos na França, e pressionou Macron a lançar uma política de ajuda econômica e social maciça para amortecer o golpe.

Em um momento em que a França está gradualmente retomando uma vida quase normal, após três confinamentos nacionais e em meio a uma campanha massiva de vacinação, o presidente aproveitará essas visitas de campo para testar suas reformas.

Para esta primeira viagem, Macron estará em terreno familiar. O departamento do Lot, do qual "gosta especialmente", em particular Saint-Cirq-Lapopie, considerado um dos mais belos vilarejos da França, representa aos seus olhos o exemplo de uma "ruralidade feliz" que mescla a reconquista industrial, o turismo e as raízes históricas, como explicou recentemente à revista Zadig.

Mas Macron não poderá evitar, especialmente durante seu encontro com políticos locais, abordar a questão das eleições regionais de 20 e 27 de junho, em uma região onde o partido de extrema direita de Marine Le Pen está ganhando espaço.

Na Occitânia, a lista da extrema direita é considerada favorita no primeiro turno com 30% dos votos, à frente da esquerda, dos conservadores e da lista da maioria presidencial.

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