"Estes tipos de medidas operacionais têm muitos precedentes e são comuns em outros acordos comerciais internacionais", afirmou o porta-voz do primeiro-ministro Boris Johnson.

"São totalmente consistentes com nossa intenção de cumprir completamente nossas obrigações sob o Protocolo (da Irlanda do Norte) de boa-fé", completou.

O "protocolo" estabelece um status especial, negociado entre Londres e Bruxelas, para a Irlanda do Norte no âmbito do acordo do Brexit, que busca evitar o retorno de uma fronteira física entre esta província britânica e a República da Irlanda, país membro da UE.

Mas para assegurar o objetivo introduz controles alfandegários aos produtos agroalimentares que chegam à Irlanda do Norte procedentes da ilha da Grã-Bretanha, o que é aplicado desde 1º de janeiro, quando o Reino Unido abandonou de maneira definitiva o mercado único e a união alfandegária europeia.

Isto provocou o aumento da tensão entre os unionistas norte-irlandeses, visceralmente apegados à coroa britânica, que consideram os controles uma fronteira física entre Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido.

Desde o início do ano, a aplicação dos novos controles dificultou o abastecimento de comércios, principalmente supermercados, na Irlanda do Norte.

E em fevereiro foram suspensos após o registro de mensagens de ameaça contra os agentes alfandegários.

Na quarta-feira, a tensão aumentou ainda mais entre Bruxelas e Londres, quando o Reino Unido decidiu prorrogar a suspensão unilateralmente por seis meses, até 1 de outubro.

A UE denunciou uma "violação" do acordo do Brexit e advertiu que responderá "com os meios legais" previstos.

Esta é uma medida "técnica e temporária" para dar mais tempo a empresas como os supermercados e os operadores de mercadorias para a adaptação, declarou o secretário britânico para Relações com a UE, David Frost, em um comunicado de Downing Street.

Os conteúdos mais inspiradores e atuais!

Ative as notificações do SAPO Brasil e fique por dentro.

Siga-nos na sua rede favorita.