Os britânicos saíram oficialmente da UE em 31 de janeiro, mas desde então as partes se encontram em um período de transição que acaba em três semanas, quando os laços serão rompidos definitivamente.

Os dois lados negociam desde março um acordo de livre comércio que deveria administrar as relações a partir de 1 de janeiro e impedir o caos de uma ruptura brutal.

Mas as negociações continuam bloqueadas em três grandes temas: o acesso dos navios de pesca europeus às águas britânicas, as garantias de concorrência exigidas pela UE a Londres em troca de um acesso ao mercado único e como resolver as divergências no futuro.

Após semanas de contatos intensos entre as equipes de negociação, apenas uma decisão política por desbloquear o cenário.

Boris Johnson e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, decidiram na segunda-feira que precisam de uma reunião presencial em Bruxelas, mas a data ainda não foi definida.

"Eu sempre tenho esperança, mas tenho que ser honesto com vocês, a situação no momento é complicada. Nossos amigos têm que entender que o Reino Unido deixou a UE para exercer o controle democrático", afirmou o primeiro-ministro britânico nesta terça-feira.

"Nós ainda estamos muito distantes", completou.

- Encontro na quarta-feira? -

Resta saber quando Johnson viajará a Bruxelas. Os líderes europeus têm uma reunião programada para quinta-feira e sexta-feira, com uma agenda intensa. Fontes diplomáticas afirmaram que os países membros preferiam que a questão do Brexit estivesse solucionada antes do encontro.

Uma fonte da Comissão Europeia afirmou que "a princípio" os dois principais nomes das negociações - o francês Michel Barnier e o britânico David Frost - devem manter contatos nas próximas horas para cumprir a instrução de seus superiores, a de preparar "um panorama das divergências" a ser discutido por Johnson e Von der Leyen.

Fontes diplomáticas acreditam que o encontro pode acontecer na quarta-feira.

Johnson, cujo pai foi funcionário europeu e eurodeputado, viveu em Bruxelas na adolescência e retornou à cidade como jornalista.

Agora volta em uma tentativa de último minuto de desbloquear a situação com um contato pessoal, como conseguiu no fim do ano passado com o polêmico acordo de divórcio que sua antecessora, Theresa May, não conseguiu aprovar no Parlamento britânico.

Antes de entrar em vigor, um eventual acordo teria que ser ratificado pelas duas partes. Líderes do Parlamento Europeu já anteciparam que precisam de tempo para revisar o texto antes de submetê-lo à votação, talvez em uma sessão extraordinária entre o Natal e o Ano Novo.

Sem acordo, a relação comercial entre Reino Unido e UE passará a ser administrada pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), o que significa a introdução de tarifas e cotas, um quadro que pode abalar ainda mais as economias já enfraquecidas pelo coronavírus.

Alguns países europeus, como França, Holanda e Espana, estão preocupados com a possibilidade de que a pressão para alcançar um acordo possa levar a Comissão Europeia a fazer concessões que não foram objeto de consenso.

Esta visão ficou evidente na semana passada, quando um alto funcionário francês advertiu que Paris vetaria um acordo que não atendesse às exigências definidas pela UE e especificadas no mandato dado a Barnier.

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