Ghali, infectado pelo coronavírus segundo seus parentes, estava internado desde abril em um hospital em Logroño, no norte da Espanha.

Segundo nota transmitida à imprensa pelo Ministério das Relações Exteriores espanhol, ele "recebeu alta médica" e pretende "deixar a Espanha esta noite a bordo de um avião civil do aeroporto de Pamplona", a uma hora de carro de Logroño.

Segundo o jornal El País, o líder saarauí partirá às 01h40 da madrugada de quarta-feira com destino à Argélia, país cujo governo é o mais ferrenho defensor da Polisário, para desgosto de Marrocos.

A presença de Ghali em território espanhol desencadeou uma crise diplomática com o Marrocos, que não quer renunciar à sua soberania no Sahara Ocidental, um território disputado onde a Polisário exige a realização de um referendo de autodeterminação previsto pela ONU.

A crise bilateral atingiu o seu pico há duas semanas, quando, em retaliação ao gesto da Espanha, o Marrocos permitiu que cerca de 10.000 migrantes atravessassem a nado de seu território para o enclave espanhol de Ceuta no norte da África.

Em sua nota, a chancelaria insiste que a recepção de Ghali se deve a "razões humanitárias", e especifica que o governo marroquino foi informado de sua saída da Espanha.

Ghali, líder da Frente Polisario, ficou surpreso ao ter de testemunhar perante a justiça espanhola por dois processos recentemente reativados, por supostos crimes de "tortura" e "genocídio".

Segundo a acusação, estes crimes foram cometidos contra dissidentes da Polisario nos campos de refugiados de Tindouf, no oeste da Argélia.

A declaração de Ghali foi feita online na manhã desta terça-feira, perante um juiz da Audiencia Nacional, um tribunal superior com sede em Madri.

Após o depoimento, o juiz decidiu não incriminar Ghali e se recusou a impor prisão provisória ou retirar seu passaporte, conforme solicitado pelas denúncias, uma vez que "não há risco de fuga".

Isto significa que o dirigente da Polisário "não tem a sua liberdade de movimentos restringida", recordou o governo espanhol

A intimação a Ghali teve origem em uma denúncia por detenção ilegal, tortura e crimes contra a humanidade apresentada em 2020 por Fadel Breika, um dissidente da Polisário e naturalizado espanhol, que disse ter sofrido tortura em Tindouf.

O outro caso, reaberto devido à presença de Ghali na Espanha, foi apresentado em 2007 pela Associação Saarauí para a Defesa dos Direitos do Homem (ASADEDH) por crimes de "genocídio", "homicídio", "terrorismo", "tortura" e "desaparecimentos", alegadamente cometidos em Tindouf.

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