Mais de 530 pessoas, entre elas vários estudantes, adolescentes e crianças, morreram vítimas da repressão do regime às manifestações contra o golpe, segundo a Associação para a Assistência a Presos Políticos (AAPP).

Centenas de pessoas foram detidas, e muitas estão desaparecidas, disse a AAPP.

A repressão de civis inflamou o número de grupos étnicos armados em Mianmar. Alguns deles lançaram ataques contra a polícia, aos quais o Exército respondeu com bombardeios.

Aung San Suu Kyi, que governava o país, de facto, até o golpe, deve prestar depoimento por videoconferência ante um tribunal em Naipyidó, capital do país.

Ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, ela "parece estar bem de saúde", disse um de seus advogados, Min Min Soe, na quarta-feira, após falar com ela também por videoconferência.

A audiência desta quinta-feira será, em princípio, breve e dedicada a questões de procedimento.

- "Guerra civil" -

Existe a possibilidade "de uma guerra civil em um nível sem precedentes", declarou na quarta-feira a enviada da ONU para Mianmar, Christine Schraner Burgener, em uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança da ONU.

"Exorto este Conselho a considerar todos os meios à sua disposição para tomar medidas coletivas e fazer o que for necessário, o que o povo birmanês merece, para evitar uma catástrofe multidimensional no coração da Ásia", frisou.

Os 15 membros do Conselho de Segurança não conseguiram superar as divisões. Estados Unidos e Reino Unido defenderam a proposta de que a ONU aplique sanções à junta militar. A China, um aliado tradicional das Forças Armadas birmanesas, rejeitou a ideia, embora tenha pedido "a volta da transição democrática".

Enquanto isso, os generais birmaneses seguem sua repressão mortal às manifestações e processam Aung San Suu Kyi, de 75 anos. Contra ela pesam quatro acusações, incluindo "incitação à desordem pública". Ela também é acusada de ter recebido propina, mas ainda não foi "indiciada" por corrupção.

- Banida para sempre -

Suu Kiy pode ser condenada a vários anos de prisão e banida para sempre da vida política.

A resistência ao regime militar continua, com dezenas de milhares de funcionários públicos e trabalhadores do setor privado ainda em greve.

Na quinta-feira, vigílias à luz de velas e orações silenciosas foram realizadas em memória dos "mártires" mortos nos últimos dois meses.

Neste contexto, aumenta o risco de um conflito entre os grupos rebeldes e o Exército.

Desde a independência da Birmânia em 1948, uma multidão de grupos étnicos mantém conflitos com o poder central. Esses grupos pedem mais autonomia, acesso às riquezas naturais, ou parte do lucrativo tráfico de drogas.

Pelo menos 20 soldados morreram, e quatro caminhões militares foram destruídos ontem, em um ataque do Exército da Independência de Kachin (KIA), de acordo com o veículo local de notícias DVB News.

Na terça, 11 pessoas morreram em ataques aéreos em uma região mineradora no estado de Karen, conforme o site Karen News.

O porta-voz da junta não respondeu às perguntas da AFP, que ainda não pôde confirmar a ocorrência destes ataques de forma independente.

No plano político, muitos membros da Liga Nacional para a Democracia (LND), o partido de Aung San Suu Kyi, foram presos. Dois deles morreram na prisão. Já os deputados da LND expulsos do Parlamento pelos golpistas anunciaram que vão formar um "novo governo civil" de resistência no início de abril.

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